The Electronic Journal of Pediatric 
Gastroenterology, Nutrition and Liver
Diseases

Home

Current Issue

Previous Issues

Search

Links

 

SÍNDROME DO INTESTINO CURTO

 

Elke Shirley Góis Miranda1 & Ulysses Fagundes Neto2

Disciplina de Gastroenterologia
Departamento de Pediatria
Escola Paulista de Medicina
Universidade Federal de São Paulo

1 Pósgraduanda
2
Professor Titular da Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica

Introdução

A síndrome do intestino curto (SIC) constitui um desafio para os profissionais especializados em gastroenterologia, pois representa um distúrbio de difícil definição anatômica e fisiológica, especialmente em crianças — daí a preferência por sua definição funcional. E uma síndrome má-absortiva que ocorre na presença da redução anatômica  ou funcional do intestino levando a várias complicações nutricionais, infecciosas e metabólicas. Má-absorção inclui nutrientes, água e eletrólitos. A má-absorção de nutrientes, no entanto, é o principal determinante da patologia1.O fracasso intestinal ocorre, por definição, quando a nutrição parenteral (NPT) é necessária para manter o equilíbrio nutricional3. A dependência de NPT por mais de 90 dias também tem sido definida como critério diagnóstico de SIC20.

Nas últimas décadas, conseguiu-se um avanço no manuseio desta patologia com o advento da nutrição parenteral, o refinamento de suas soluções e o desenvolvimento de catéteres e técnicas melhorados para manutenção deste tipo de nutrição. O desenvolvimento de novas fórmulas alimentares enterais também possibilitou melhora no prognóstico desses pacientes. E, por fim, o transplante intestinal é a medida mais recente que tem possibilitado uma maior chance de sobrevivência para os portadores de intestino curto1.

Etiologia

A maioria dos pacientes apresenta SIC ao nascimento ou próximo dele. O restante dos casos aparece em qualquer idade devido a diferentes causas. Pode-se dividí-los em portadores de intestino anatomicamente normal antes do início da patologia e em portadores que não têm intestino anatomicamente normal antes do início da patologia1.

Os primeiros são mais freqüentes que os últimos e constituem um grande número de neonatos com SIC. A etiologia principal seria a ressecção do intestino, especialmente em prematuros, após quadro de enterocolite necrozante. Esta levaria ao aparecimento de lesão isquêmica do intestino delgado resultando em intestino inviável que é, freqüentemente, ressecado. A ressecção colônica proximal e ileal são as mais comuns e resultam em comprometimento da função intestinal. Em outras idades, a síndrome pode ter como etiologia: doença de Crohn, volvo com isquemia intestinal, tumores e enterite decorrente da radioterapia de doenças neoplásicas1,16.A doença de Hirschsprung raramente envolve o intestino delgado, podendo resultar em SIC. Há, também, relatos de ressecção intestinal por perfuração tifóide em crianças maiores de cinco anos e é a principal causa de ressecção intestinal na Nigéria17.

Outros pacientes possuem SIC decorrente de anormalidades congênitas nas quais as atresias são as mais comuns, podendo ser únicas ou múltiplas. Quando múltiplas, decorrem de alterações na artéria mesentérica superior e são conhecidas como “apple peel” ou “Christmas tree”. Algumas crianças já nascem com intestino curto e alguns pacientes com gastroquise podem desenvolver SIC congenitamente ou como resultado de ressecção1.

Anormalidades Fisiológicas

O intestino delgado apresenta diferentes funções em relação a sua porção proximal e distal. O jejuno possui vilosidades longas, área de superfície absortiva aumentada e uma elevada concentração de enzimas e proteínas transportadoras, com junções intercelulares largas, tornando o epitélio mais poroso para grandes moléculas. Além da sua excelente capacidade absortiva, o jejuno permite um fluxo livre e rápido de água e eletrólitos do espaço vascular para o espaço intraluminal. O íleo possui vilosidades curtas com mais tecido linfóide, menor capacidade absortiva e junções intercelulares menores com menor fluxo de água e eletrólitos do vascular para o lúmen, sendo mais eficiente na absorção de líquidos e eletrólitos. Apesar de absorver nutrientes mais lentamente, possui características próprias, como a capacidade de absorção de vitamina B12 e sais biliares, através de receptores específicos. O íleo pode sofrer adaptação funcional e ser capaz de assumir a função jejunal, absorvendo macro e micronutrientes. O jejuno, no entanto, não pode desenvolver receptores de transporte de vitamina B12 e sais biliares pois são mal-absorvidos na ressecção ileal. O íleo é o local de síntese de hormônios gastrointestinais que afetam a motilidade do intestino delgado como o enteroglucagon e o peptídeo YY. Portanto, sua ressecção interfere na regulação da motilidade intestinal, levando à diminuição do tempo de trânsito intestinal através do jejuno. O mecanismo de feedback negativo para a gastrina é perdido e a hipergastrinemia é comum, podendo explicar por que a doença péptica e a esofagite são comuns na SIC.

A válvula ileocecal parece ter duas funções:

1) barreira anti-refluxo de bactérias colônicas para o intestino delgado;

2) reguladora da saída de líquidos e eletrólitos do intestino delgado.

Assim, a ressecção da válvula ileocecal pode acarretar sobrecrescimento bacteriano, e na passagem rápida de nutrientes e fluidos para o cólon exacerbando a má-absorção e aumentando sensivelmente a perda osmótica do intestino delgado.

A maior conseqüência da ressecção do intestino delgado é a má-absorção, seja pela perda de superfície absortiva bem como por redução de enzimas digestivas e de proteínas transportadoras1.

A diarréia osmótica é causada pela má-absorção de carboidratos. As proteínas e os lipídeos são pouco responsáveis por este quadro. As primeiras, por serem ingeridas em pequena quantidade e os lipídeos, por provocarem menor exacerbação da perda líquida, apesar de serem mal-absorvidos. Vitaminas lipossolúveis também são mal-absorvidas. Pode-se aumentar a absorção de calorias derivadas de gorduras, aumentando a ingestão de lipídeos para a saturação dos seus transportadores, apesar do aumento da perda fecal. Uma ingestão adicional de carboidratos e proteínas não aumenta a absorção calórica, uma vez que todos os receptores já estão saturados. A exceção é a fermentação de alguns carboidratos não absorvidos para ácidos graxos de cadeia curta no cólon1.

Adaptação intestinal

A adaptação é o processo pelo qual o intestino sofre modificações funcionais a fim de suprir as necessidades nutricionais, normalmente devido a perda da superfície absortiva após a ressecção da maior parte do intestino delgado, podendo ocorrer também no diabetes mellitus e na lactação. Essas mudanças incluem hiperplasia celular com aumento da superfície da mucosa, predominantemente, no intestino delgado. Hipoteticamente, as mudanças ocorrem, em princípio como resposta ao aumento da ingestão calórica, enfatizando a sensibilidade do intestino para adaptar-se às variações dessa ingestão. A adaptação também é evidenciada quando a ingestão é diminuída, seja por diminuição da necessidade ou por escassez de alimento – resultando em vilosidades curtas e na diminuição do transporte intestinal de nutrientes1.  Por outro lado, a adaptação pode ser considerada uma exacerbação de processos que mantêm a integridade da mucosa e sua função em resposta a uma alimentação entérica normal.

O primeiro evento na adaptação intestinal é a hiperplasia da mucosa epitelial. A hiperplasia é representada pelo aumento na produção de células crípticas, aumento da profundidade da cripta e subseqüente aumento nas vilosidades. É possível, ainda, que ocorra dilatação intestinal com aumento das dobras da mucosa e aumento gradual da área de superfície absortiva1. 

A demonstração dos efeitos diretos dos nutrientes sobre o epitélio intestinal é satisfatoriamente aceita. Normalmente, a vilosidade jejunal é mais longa do que a ileal, provavelmente porque está mais exposta a altas concentrações de nutrientes. Quando um segmento do íleo é transportado para o jejuno proximal, a mucosa ileal aumenta imensamente, até o ponto que seu comprimento ultrapasse o comprimento da vilosidade jejunal1.

A nutrição enteral não somente é importante na estimulação da adaptação intestinal, mas também na estimulação da regeneração da mucosa seguida a uma injúria. É também importante na manutenção do tamanho da mucosa.  Vários fatores podem ser responsáveis por essa sensibilidade epitelial; é provável que fatores tróficos sejam secretados localmente e atuem através de mecanismo parácrino para estimular a produção celular1.

O segundo mecanismo pelo qual a nutrição enteral estimula a adaptação intestinal é a secreção de hormônios gastrointestinais tróficos, tendo sidoevidenciado trofismo em alças intestinais excluídas do transito intestinal, mas mantidas com circulação sanguínea1.

O terceiro mecanismo pelo qual a adaptação intestinal pode ser estimulada pela nutrição enteral é a estimulação de secreções gastrointestinais que pode ser demonstrada pelo transporte da ampola de Vater para o intestino delgado distal. A hiperplasia da mucosa distalmente à ampola transplantada ocorre em resposta à alimentação enteral. As secreções pancreáticas e biliares entram no intestino distal através da ampola em maior concentração do que normalmente presente no íleo, e conseqüentemente, estimulam a hiperplasia vilositária1.  

Regulação hormonal

Vários hormônios têm sido postulados como sendo importantes nesse processo de adaptação intestinal, tais como: enteroglucagon, gastrina, secretina, colecistoquinina, fator de crescimento epidermal, IGF-1 e peptídio YY1,29,37.

Pacientes com tumores secretores de enteroglucagon desenvolvem hiperplasia maciça da mucosa, revertida assim que o tumor é retirado. O enteroglucagon é produzido em alta concentração no intestino delgado distal, que é o segmento que tem maior potencial de adaptação. Níveis de glucagon e enteroglucagon-RNA tendem a aumentar após a ressecção intestinal ou a anastomose jejunoileal (situações em que a hiperplasia da mucosa está ativada). Tentativas de provar este mecanismo têm sido falhas. Precursores do enteroglucagon tem recebido alguma atenção e devem ter importância em como o glucagon estimula a hiperplasia. O Glucagon like peptide (GLP-2) parece ser o hormônio associado à adaptação1,30.

Os níveis de gastrina apresentam-se altamente elevados após a ressecção intestinal. A gastrina é conhecida por ser trófica para o estômago e o intestino proximal. No entanto, a hipergastrinemia parece resultar na hiperplasia somente no intestino proximal e, provavelmente, não é o maior fator hormonal na estimulação da adaptação intestinal mais distal1.

A neurotensina é um hormônio presente principalmente no sistema nervoso central, mas encontra-se, também, no intestino delgado. Mesmo tendo sido relacionada à hiperplasia do intestino delgado, sua principal função parece estar relacionada à regulação da motilidade intestinal. Assim como a secretina e a colecistoquinina tem aparente função na regulação hormonal da secreção biliar e pancreática.

O fator de crescimento epidermal (EGF) presente no leite materno é conhecido por estimular a proliferação do epitélio intestinal primariamente no estômago e é candidato para o processo adaptativo. Ele parece estimular a atividade da ornitina descarboxilase no intestino delgado resultando na síntese de poliaminas e subseqüente proliferação da mucosa. Numerosos receptores de EGF estão presentes no intestino delgado e este hormônio é conhecido por estimular as glândulas salivares e de Brunner. Talvez também estimule a proliferação no intestino delgado, onde a superfície da mucosa é normalmente maior1.

Recentemente, interesses têm sido desenvolvidos no IGF-I (insulin like growth factor I) assim nomeado por sua estrutura semelhante à insulina. Conhecido como somatomedina-C, este fator de crescimento parece ser responsável por muitos dos efeitos do hormônio do crescimento. O IGF-I parece ter uma função importante no processo adaptativo. Ele é, provavelmente, uma substância hormonal adicional que deve estar envolvida na adaptação intestinal1,7.

Níveis de peptídio YY são elevados pela administração de “menhaden oil” que também estimula a adaptação. Concentrações séricas desse hormônio estão aumentadas em pacientes com SIC. Este hormônio reduz a motilidade gastrointestinal e aumenta o contato de nutrientes com o epitélio intestinal. O peptídio YY deve ser potencialmente ligado à função adaptativa através desse mecanismo1.

As prostaglandinas também têm alguma função na regulação da proliferação celular. A inibição da síntese de prostaglandinas tem promovido a redução do efeito mitogênico de alguns hormônios gastrointestinais e, ao contrário do que se pensa, as prostaglandinas mostram ser estimulantes tróficos para vários tipos de células1. O bloqueio da ciclooxigenase resulta na inibição da adaptação, porém a inibição seletiva da lipooxigenase aumenta a adaptação1. Após a  ressecção intestinal, uma dieta contendo ácido aracdônico facilita o processo adaptativo por atuar como substrato para a síntese de prostraglandinas12.

A função das poliaminas na adaptação intestinal tem levantado muito interesse. A poliamina putrecina é formada pela descarboxilação da ornitina decarboxilase (ODC) o que constitui o inicio da biossíntese da poliamina. As poliaminas estão presentes em altas concentrações em tecidos rapidamente proliferativos como o intestino delgado. Elas aparentam ser essenciais para o crescimento celular normal e para a diferenciação celular. Durante a hiperplasia adaptativa, há aumento tanto de poliaminas como de ODC e também aumento na proliferação intestinal. Níveis elevados também ocorrem durante outros estados proliferativos como resultado da injúria intestinal, lactação e após realimentação em pacientes desnutridos. O bloqueio na síntese de poliaminas através do bloqueio da ODC, reduz a adaptação1.

Diagrama mostrando uma proposta para o mecanismo de estimulação da adaptação intestinal1

 

Aplicação do processo adaptativo

A manipulação da dieta tem sido a pedra angular do intestino no tratamento de desordens em que a área de superfície está diminuída, como na SIC. Certos nutrientes são capazes de estimular a adaptação melhor do que outros: gorduras de cadeia longa, Omega-3, ácidos graxos de cadeia curta, fibras e glutamina1.

Dietas complexas tendem a induzir maior adaptação do que a dieta elementar, provavelmente por exigirem um maior trabalho para sua assimilação. No entanto, a caseína hidrolisada parece ser mais trófica no estímulo da adaptação do que somente a proteína. Triglicérides de cadeia longa são mais tróficos do que triglicérides de cadeia média. Dietas contendo maior percentagem de triglicérides de cadeia longa — mas deficientes em ácidos graxos essenciais — são na literatura, claramente, menos tróficas do que dietas contendo adequada quantidade de ácidos graxos essenciais1

Recentemente, o “menhaden oil”, um óleo de peixe altamente saturado contendo ácido graxo ômega-3, tem demonstrado ser mais trófico que o “saltflower oil”, um óleo que é rico em ácido graxo essencial ou até mesmo o “beef tallow” que é altamente saturado de gordura essencial. Os efeitos benéficos do “menhaden oil” não poderiam ser atribuídos à secreção de enteroglucagon, mas foram associados a um pequeno, mas significante aumento no nível do peptídio YY. Os efeitos deste óleo poderiam também estar relacionados ao conteúdo altíssimo de ácido eucosapentoenóico. Como o ácido aracdônico é um dos maiores estimulantes da adaptação, esse processo é, provavelmente, mediado pelas prostaglandinas. Outros lipídeos que devem ser importantes na adaptação incluem os ácidos graxos de cadeia curta. Quando adicionados à nutrição parenteral reduzem a atrofia associada com a ausência de alimentação enteral e podem melhorar a adaptação após a ressecção intestinal1.

Há um maior interesse no uso de glutamina no tratamento de uma variedade de desordens gastrointestinais devido à sua aparente função como um importante nutriente da mucosa intestinal. A administração da glutamina tem sido demonstrada como redutora de translocação bacteriana no intestino delgado e como medida preventiva da atrofia da mucosa. A glutamina infundida por via intravenosa parece ter algum efeito trófico no intestino delgado. Ela produz menos hiperplasia do que a glicina ou a glicose. Estudos em animais mostram uma melhora na absorção e na morfologia intestinal com a adoção de uma dieta contendo glutamina35. O mesmo resultado não é obtido quando estudado em humanos14,22,28.

Fibras também podem desenvolver adaptação. Este efeito é mais importante no colon e mediado pela produção de ácidos graxos de cadeia curta. Além disso, a atrofia da mucosa, associada com nutrição parenteral, pode ser revertida pela administração parenteral de ácidos graxos de cadeia curta.

Manejo clínico

O manejo clínico da SIC inclui vários aspectos1,8. Ele começa com um período de NPT que deve ser de curta duração e é, primariamente, caracterizado pela estabilização hemodinâmica de fluidos e eletrólitos. Imediatamente após a ressecção intestinal, todos os nutrientes devem ser dados via parenteral devido ao íleo transitório. Inicialmente, os pacientes tendem a ter grandes volumes de perda de fluidos e eletrólitos gástricos pelas estomias. O excesso de fluido perdido pelo tubo gástrico, diarréia ou estomias deve ser reposto baseado no conteúdo eletrolítico dessas secreções. É preferível medir o volume dessas secreções a cada 2 horas e repô-las usando uma solução baseada na medida atual dos eletrólitos das perdas da estomia. As perdas podem ter alto conteúdo de sódio e soluções com, pelo menos, 80-100 mEq/l de sódio são, comumente, necessárias para manter a homeostase fluídica e eletrolítica1.

Quando a perda líquida tiver diminuído, a infusão enteral contínua é iniciada. Esse procedimento é mais comumente feito com dieta elementar. A taxa inicial é bastante lenta e a oferta é rapidamente aumentada em até 67 kcal/ml em lactentes ou 1 kcal/ml em pacientes mais velhos e adultos. Uma vez iniciado, o volume da alimentação enteral pode ser gradualmente aumentado quando o volume da nutrição parenteral é diminuído, sem que se ultrapasse o volume necessário para o paciente. Se as perdas fecais aumentarem mais que 50% ou forem maiores que 40-50ml/kg/dia ou se as secreções da estomia são positivas para substâncias redutoras, o progresso na nutrição enteral deverá ser controlado até a melhora destes parâmetros1,8. Em pacientes com colon intacto, a diminuição no pH fecal abaixo de 5.5 é também indicativo de má-absorção de carboidratos e sugere que o avanço na alimentação enteral resultaria no agravo da diarréia osmótica1.

O uso de infusão contínua é controvertido. A maior vantagem é a melhor tolerância à nutrição enteral com controle mais adequado da administração calórica e redução dos vômitos. Com o uso de infusão contínua, as proteínas carregadoras do intestino delgado podem ser continuamente saturadas, permitindo o uso ótimo da função intestinal. A administração de calorias extras reduz a necessidade de nutrição parenteral e, na teoria, reduzirá o risco de doença hepática que leva a maior morbidade e mortalidade na SIC. Alimentos sólidos podem ser iniciados e dados através de sonda nasogástrica sem dificuldade. Pequenos bolus de alimentos podem ser tolerados e são importantes para preservar o mecanismo de sucção e deglutição1,8.

Dieta elementar tem sido amplamente usada na SIC. Não são comumente usadas em pediatria e, possivelmente, não são melhores no tratamento da SIC. O hidrolisado de proteína (o mais comum de caseína), um carboidrato rapidamente absorvível e gorduras (mistura de triglicérides de cadeia media e longa) são mais apropriados para uso em pediatria, sendo que os ácidos graxos de cadeia longa são mais tróficos para o intestino. A gordura insaturada derivada do óleo de peixe e fórmulas com alto conteúdo de ácido aracdônico podem ser mais efetivas na estimulação da adaptação intestinal. Na realidade, a forma da proteína tem pouca diferença na SIC. A importância de fórmulas semielementares e elementares reside na redução do risco de desenvolver doença alérgica, que é mais comum em crianças com permeabilidade intestinal aumentada e é o que, freqüentemente, ocorre no caso do SIC em crianças. Após o primeiro ano de vida, há poucas vantagens no uso fórmulas hidrolisadas1. A atenção no conteúdo de gordura da fórmula é mais importante por promover um efeito trófico no intestino delgado, diminuir a perda osmótica e não ser substrato para excesso da flora bacteriana.

Quando a NPT está, progressivamente, sendo substituída pela nutrição enteral, ela pode tornar-se intermitente, facilitando o uso de nutrição parenteral domiciliar e tornando o paciente mais livre. Trata-se de um processo gradual que leva meses ou anos1.

A oferta calórica é, gradualmente, aumentada, baseada nas necessidades do crescimento da criança, assegurando que ela se mantenha paralelamente ao percentil 50 para peso e altura. A administração excessiva de calorias é, freqüentemente, um problema nesse estágio do tratamento no qual a criança é incapaz de regular sua própria ingestão calórica. Perdas fluídicas, nesse estágio, são freqüentemente maiores e sua concentração de sódio varia de 80 a 100 mEq/l. O uso de dieta elementar e a reposição das perdas com solução oral podem ajudar nesse período de alimentação enteral1.

O uso de Sandostatin Depot - um análogo da somatostatina - por 15 semanas prolonga, significativamente, o tempo de trânsito intestinal no intestino delgado24.

Algoritmo do manejo clínico da síndrome do intestino curto1  

Complicações crônicas

Muitas complicações crônicas estão ligadas à nutrição parenteral, incluindo problemas relacionados ao cateter, à sepse e a doença hepática à NPT. Outras complicações não estão relacionadas à NPT, como o sobrecrescimento bacteriano(SCB) ou complicações que ocorrem quando a nutrição parenteral é retirada, como deficiência de nutrientes1.

Sobrecrescimento bacteriano

É definido como o aumento do conteúdo de bactérias no intestino delgado. O conteúdo normal varia de 103 colônias a concentrações maiores no íleo. Na SIC, há alteração anatômica e na motilidade o que predispõe ao SCB, que excede 105 colônias1.

O SCB está quase sempre presente quando a motilidade intestinal está diminuída, o intestino está dilatado e a válvula íleo cecal está ausente13. A redução no GALT, após a ressecção intestinal, também deve impedir a resposta imunológica contra essas bactérias – representadas, principalmente, por bactérias facultativas e anaeróbias. Essas bactérias desconjugam os sais biliares, resultando em rápida absorção de ácidos biliares e depleção do pool de sais biliares - o que prejudica a solubilização micelar e resulta em esteatorréia e má-absorção de vitaminas lipossolúveis. Podem, também, causar inflamação da mucosa que exacerba a má-absorção1.

Deve-se pensar em SCB quando o paciente apresentar distensão abdominal, cólicas, diarréia, perda sanguínea gastrointestinal ou deteriorização clínica em pacientes anteriormente estáveis.

Embora o procedimento não seja prático e, muitas vezes, desnecessário, o diagnóstico é baseado na demonstração de aumento de bactérias no intestino delgado por aspiração e cultura de fluidos. A triagem para o SCB pode ser realizada através do uso da determinação do H2 no ar expirado. Níveis rapidamente elevados de H2 respiratório ou um rápido aumento após administração oral de glicose (2g/kg até o máximo de 50g) é sugestivo de SCB, provando que o tempo de trânsito no intestino delgado não é tão rápido para produzir entrada imediata de glicose não absorvida no colon. A glicose é o substrato ideal para esse teste, pois é rapidamente absorvida no intestino delgado e, raramente, absorvida no colon, onde poderia produzir teste falso positivo. A biópsia de intestino delgado mostrando mudanças inflamatórias freqüentemente sugere SCB, especialmente quando o intestino delgado é dilatado, a motilidade é diminuída ou existe obstrução parcial1.

São duas as complicações do SCB além da sepse após a translocação bacteriana: a acidose lática e a enterite. A acidose lática resulta da produção bacteriana de D-lactato, acumulado na corrente sanguínea, resultando em sintomas neurológicos que variam de desorientação ao coma. A colite é representada por grandes ulcerações que, na maioria das vezes, simula a doença de Crohn, embora granulomas não sejam identificados. Esta forma de colite responde ao tratamento antimicrobiano1,4,38.

O SCB pode ser tratado com antibiótico de largo espectro ministrados de forma intermitente, geralmente nos primeiros cinco dias de cada mês. Metronidazol isoladamente ou em combinação com sulfametoxazol-trimetropim pode ser usado, sendo a associação mais efetiva. Gentamicina por via oral pode ser usada e é minimamente absorvida. Pacientes refratários devem receber antibióticos continuamente e os antibióticos também podem ser intercalados para prevenir a resistência bacteriana1.

Diarréia Aquosa

A secreção excessiva de fluidos ocorre em pacientes com SIC e é resultado de perda osmótica quando grande quantidade de carboidratos é ingerida. Pode também ser relacionada a níveis elevados de gastrina que estão presentes nestes pacientes. O análogo da somatostatina tem sido usado em um grande número de pacientes com resultados variáveis1,8.

Deficiência Nutricional

Macronutrientes como proteínas, carboidratos e gorduras podem ser absorvidos adequadamente, mas micronutrientes como minerais e vitaminas lipossolúveis podem não ser absorvidos.  Deficiência de ferro e zinco são as mais comuns. Absorção de selênio também se apresenta alterada, bem como cálcio e magnésio32. Má-absorção de sal biliar e vitamina B12 também está presente e deve ser monitorizada1,8. Há também relatos de deficiência de cobre34.  

Nutrição Parenteral Induzindo Doença Hepática

A doença hepática induzida pela NPT é a maior causa de morte em crianças com SIC. O mecanismo pelo qual a NPT promove lesão hepática não é conhecido. A administração de nutrição enteral que mantém, pelo menos, 20 a 30% da necessidade calórica, a prevenção de crescimento bacteriano no intestino delgado e cuidados na manipulação do cateter central (reduzindo a incidência de sepse) parecem importantes na redução da incidência de doença hepática relacionada à NPT1,5. Aproximadamente 20% das crianças que recebem NPT apresentam colelítíase. Em alguns centros, a colecistectomia precoce é indicada em pacientes em NPT prolongada1. A elevação transitória de enzimas hepáticas, a colestase e a esteatose são descritas após uso prolongado de NPT, sendo a colestase a mais comum5. Possíveis etiologias incluem a administração calórica excessiva, os componentes da NPT e as deficiências nutricionais.

Complicações Relacionadas ao Cateter

Os pacientes necessitam trocar o cateter em média a cada 200 dias e evoluem com episódios de sepse uma vez por ano. Essas complicações são mais comuns em menores de um ano e são elas: sepse, trombose vascular e infecção do cateter, podendo ocorrer por cuidados precários no manuseio do cateter ou por translocação bacteriana devido ao SCB no intestino delgado1,11. Há um estudo que demonstrou que a administração de Bifidobacterium lactis reduz a incidência de translocação bacterina em ratos adultos após a ressecção de 80% do intestino18.

Fibrose Renal Tubulointersticial Focal

Em 2002, um caso de fibrose renal tubulointersticial focal em paciente com SIC foi descrito, no Japão, relacionado à deficiência de arginina2. Estudos, em ratos, mostram que a deficiência de arginina, após a ressecção intestinal extensa, causa fibrose tubulointersticial21.

Opções Cirúrgicas

Os pacientes com SIC apresentam estenose da anastomose do intestino, podendo- se evitar uma nova ressecção através da realização de enteroplastia31, estenoseplastia e colagem de serosa1. Outra opção cirúrgica é a interposição de colon no intestino delgado observando-se metaplasia da mucosa colônica que passa a ficar semelhante à mucosa jejunal1,15,19,39.

Transplante

Transplante intestinal tem sido indicado para crianças com SIC, principalmente naquelas em NPT prolongada, sem estimativa para a retirada da NPT26,33. A rejeição tem sido o grande problema dos transplantados e parece ser caracterizada por mudanças na permeabilidade intestinal e por mudanças inflamatórias histológicas não-específicas. Outros problemas relacionados são: doença linfoproliferativa e infecções. Alguns pacientes necessitam de transplante hepático, isoladamente, devido a complicações relacionadas a NPT e outros, de transplante combinado (fígado + intestino).

Na literatura, há referência de mais de 200 transplantes intestinais realizados no mundo, isoladamente ou em associação com outros órgãos, com sobrevivência de um ano em 54% dos casos. Os maiores contribuidores para a mortalidade são: rejeição, infecção e complicações com a técnica6,16.

O transplante hepático isolado apresenta algumas vantagens em relação ao transplante hepático combinado ao intestinal10:

- maior disponibilidade de órgãos;

- técnica de redução hepática bem estabelecida;

- requerimento de menor imunossupressão;

- maior experiência no manuseio de crianças com transplante hepático.

O prognóstico de transplante do intestino é melhor quando realizado antes da falência hepática.

A sobrevivência de 1 ano após o transplante está abaixo relacionada16:

- transplante intestinal: 75%

- transplante intestinal e fígado: 40%

- transplante de múltiplos órgãos: 48%

Referências Bibliográficas

  1. Vanderhoff, AJ. Short-bowel syndrome and Intestinal Adaptation. IN: Pediatric Gastrointestinal Disease. Edited by Walker, Durle, Hamiltonand Walker-Smith. 3 Ed. 583-602.
  2. Hebiguchi T. et al. Renal Focal Tubulointersticial Fibrosis with short bowel síndrome: report a case. Surg. Today; 32(7): 646-50,2002.
  3. Jeppesen PB et al. Enhancing bowel adaptation short bowel syndrome. Curr. Gastroenterol. Rep; 4(4): 338-47, 2002. Aug.
  4. Angelet et al. Episodios recurrentes de acidosis con encefalopatia en un paciente en programa de hemodiálisis, com síndrome del intestino corto. Nefrología,22 (2): 196-81,2002.
  5. Btaiche IF et alli. Parenteral Nutrition associated liver complications in children. Pharmacotherapy; 22 (2): 188-211, 2002 Feb.
  6. Kato T. et al. Intestinal and multivisceral transplantation. World J Surg; 26 (2): 226-37,2002 Feb.
  7. Heemskerk VH et al. Effect of IGF- rich colostum on bowel adaptation in neonatal piglets with short bowel syndrome. J Pediatr Gastroenterol Nutr; 34 (1): 47-51, 2002 Jan.
  8. Sundaram A . Nutritional Management of Short Bowel Syndrome in Adults. J Clin Gastroenterol; 34(3). 207-20, 2002 Mar.
  9. Scolapio JS. Teatment of Short Bowel Syndrome. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 4 (6): 557-60, 2001 Nov.
  10. Haslen SP et al. Isolated liver transplantation in infants with end-stage liver disease associated with short bowel syndrome. Ann Surg; 235 (3). 435-9,2002 Mar.
  11. O’Brien DP et al. Intestinal Permeability and Bacterial Translocation are Uncoupled after small bowel resection. J Pediatr Surg. 37(3): 390-4,2002 Mar.
  12. Kollman-Bauerly KA; Thomas DL; Adrian TE; Lien EL; Vanderhoof JÁ. The role of eicosanoids in the process of adaptation following massive bowel resection in the rat. JPEN J Parenter Enteral Nutr; 25(5):275-81, 2001 Sep-Oct.
  13. Eizaguirre I; Aldazábal P; García N; Orgiles I; García-Arenzana JM; Ariz C. Bacterial translocation associated with short bowel: role of ileocecal valve and cecum] Cir Pediatr; 14(2):57-60, 2001 Apr
  14. Scolapio JS; McGreevy K; Tennyson GS; Burnett OL. Effect of glutamine in short-bowel syndrome. Clin Nutr; 20(4):319-23, 2001 Aug
  15. Barksdale EM et al. The surgical management of short bowel syndrome. Curr Gastroenterol  Rep; 4 (3), 229-37,2002 Jun
  16. Nishida S. et al. Ninety-five cases of intestine transplantation at the University of Miami. J Gastrointest Surg; 6 (2). 233-9, 2002 Mar-apr
  17. Ameh EA. Bowel resection in children. East Afr Med J; 78 (9). 477-9, 2001 Sep
  18. Eizaguirre I et al. Probiotic supplementation reduces the risk of bacterial translocation in experimental shrt bowel syndrome. J Pediatr surg; 37 (5): 699-702. 2002 May
  19. Kono K; Sekikawa T; Iizuka H; Takahashi A; Amemiya H; Takehana T; Ooi A; Fujii H; Matsumoto Y. Interposed colon between remnants of the small intestine exhibits small bowel features in a patient with short bowel syndrome. Dig Surg; 18(3):237-41, 2001
  20. Andorsky DJ; Lund DP; Lillehei CW; Jaksic T; Dicanzio J; Richardson DS; Collier SB; Lo C; Duggan C. Nutritional and other postoperative management of neonates with short bowel syndrome correlates with clinical outcomes. J Pediatr; 139(1):27-33, 2001 Jul
  21. Hebiguchi T; Kato T; Yoshino H; Mizuno M; Wakui H; Komatsuda A; Imai H. Extremely short small bowel induces focal tubulointerstitial fibrosis. J Pediatr Gastroenterol Nutr; 32(5):586-92, 2001 May.
  22. Zhou X; Li YX; Li N; Li JS. Glutamine enhances the gut-trophic effect of growth hormone in rat after massive small bowel resection. J Surg Res; 99(1):47-52, 2001 Jul
  23. Kollman KA; Goulet O; Vanderhoof JÁ. Saccharomyces boulardii does not stimulate mucosal hyperplasia after intestinal resection in the rat. J Pediatr Gastroenterol Nutr; 32(4):454-7, 2001 Apr
  24. Nehra V; Camilleri M; Burton D; Oenning L; Kelly DG. An open trial of octreotide long-acting release in the management of short bowel syndrome. Am J Gastroenterol; 96(5):1494-8, 2001 May.
  25. O'Brien DP; Nelson LA; Stern LE; Williams JL; Kemp CJ; Wang Q; Tso P; Erwin CR; Hasselgren PO; Warner BW. Epithelial permeability is not increased in rats following small bowel resection. J Surg Res; 97(1):65-70, 2001 May 1.
  26. Kaufman SS; Atkinson JB; Bianchi A; Goulet OJ; Grant D; Langnas AN; McDiarmid SV; Mittal N; Reyes J; Tzakis AG. Indications for pediatric intestinal transplantation: a position paper of the American Society of Transplantation. Pediatr Transplant; 5(2):80-7, 2001 Apr.
  27. Segovia-Silvestre T; Pita AM; Vilar L; Venereo Y; Orta X; Farriol M. Intestinal ornithine decarboxylase in short bowel syndrome patients with oral diet. Clin Nutr; 20(2):171-5, 2001 Apr.
  28. Gu Y; Wu ZH; Xie JX; Jin DY; Zhuo HC. Effects of growth hormone (rhGH) and glutamine supplemented parenteral nutrition on intestinal adaptation in short bowel rats. Clin Nutr; 20(2):159-66, 2001 Apr.
  29. Eizaguirre I; Aldazabal P; García N; Orgiles I; García-Arenzana JM; Ariz C; Tovar JA; Candelas S. Effect of various trophic factors on bacterial translocation in experimental short bowel syndrome] Cir Pediatr; 14(1):4-8, 2001 Jan.
  30. Jeppesen PB; Hartmann B; Thulesen J; Graff J; Lohmann J; Hansen BS; Tofteng F; Poulsen SS; Madsen JL; Holst JJ; Mortensen PB. Glucagon-like peptide 2 improves nutrient absorption and nutritional status in short-bowel patients with no colon. Gastroenterology; 120(4):806-15, 2001 Mar.
  31. Bueno J; Guiterrez J; Mazariegos GV; Abu-Elmagd K; Madariaga J; Ohwada S; Kocoshis S; Reyes J. Analysis of patients with longitudinal intestinal lengthening procedure referred for intestinal transplantation. J Pediatr Surg; 36(1):178-83, 2001 Jan.
  32. Miranda SC; Ribeiro ML; Ferriolli E; Marchini JS. Hypomagnesemia in short bowel syndrome patients. Sao Paulo Med J; 118(6):169-72, 2000 Nov 9.
  33. Goulet O; Lacaille F; Jan D; Ricour C. Intestinal transplantation: indications, results and strategy. Curr Opin Clin Nutr Metab Care; 3(5):329-38, 2000 Sep.
  34. Fuhrman MP; Herrmann V; Masidonski P; Eby C. Pancytopenia after removal of copper from total parenteral nutrition. JPEN J Parenter Enteral Nutr; 24(6):361-6, 2000 Nov-Dec.
  35. Szkudlarek J; Jeppesen PB; Mortensen PBEffect of high dose growth hormone with glutamine and no change in diet on intestinal absorption in short bowel patients: a randomised, double blind, crossover, placebo controlled study. Gut; 47(2):199-205, 2000 Aug.
  36. Yang H; Larsson J; Permert J; Braaf Y; Wirén M. No effect of bolus glutamine supplementation on the postresectional adaptation of small bowel mucosa in rats receiving chow ad libitum. Dig Surg; 17(3):256-60, 2000.
  37. Eizaguirre I; Aldazabal P; Barrena MJ; Garcia-Arenzana JM; Ariz C; Candelas S; Tovar JAEffect of growth hormone, epidermal growth factor, and insulin on bacterial translocation in experimental short bowel syndrome. J Pediatr Surg; 35(5):692-5, 2000 May.
  38. Bongaerts G; Bakkeren J; Severijnen R; Sperl W; Willems H; Naber T; Wevers R; van Meurs A; Tolboom J. Lactobacilli and acidosis in children with short small bowel. J Pediatr Gastroenterol Nutr; 30(3):288-93, 2000 Mar.
  39. Taha MO; Ribeiro MA; de Oliveira Gomes P; Montero Frasson E; Plapler H; Ferreira R; Lapa AJ; Soucar C. Evaluation of the longitudinal musculature of segments of the distal colon interposed following extended jejunum-ileum resection. Microsurgery; 19(7):306-10, 1999.

Copyright © 2003  Sociedad Latinoamericana de Gastroenterología Pediátrica y Nutrición
Webmaster:
Carlos Alberto Garcia Oliva & Fábia Moutinho