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ANTROPOMETRIA, COMPOSIÇÃO CORPORAL E ESTADO NUTRICIONAL EM FERRO, COBRE E ZINCO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE DUAS FAVELAS DE SÃO PAULO

 

Elisabete Braga dos Santos , Carlos Alberto Garcia Oliva & Olga Maria Amâncio

Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica
Universidade Federal de São Paulo

Abstract

Objective: To assess anthropometry and body composition by gender in children and adolescents of two shantytowns in the city of São Paulo, correlated with biochemical levels of iron, copper and zinc.

Methods: A cross-section study was performed using measurements about weight, height, arm circunference, skinfold thickness and bioelectrical impedance. It was calculated Z score of relations height for age (H/A), body mass index (BMI), arm area (AA), arm muscle area (AMA), arm fat area (AFA). Percent of body fat and lean mass were analised by Siri's (1961) and Slaughter's et al. (1989) formula. With respect to biochemical analysis it was achieved dosage of hemoglobin, hematocrit, serum iron, ferritin, copper and zinc.

Results: The group presented less incidence of malnutrition (2% girls and 5,6% boys) rather than overweight and obesity (30% and 11,1%, respectively). Low height (< -2SD) for 8% of the girls and 5,6% of the boys, no difference according to gender. Girls presented higher body weight, arm circunference, triceps and subescapular skinfold thickness and electrical resistence. Anemia was verified in 24,4%, serum iron less 50μg/dl was observed on 10,5% of children and adolescents with or without anemia. No difference was stated regarding serum iron, ferritin, copper and zinc according to gender. Girls presented higher levels of serum copper than boys. It was realised correlation between iron, copper and zinc with anthropometry and body composition, as body fat mass. The E2/R (square height divided by resistence) correlated only with arm muscle area and arm circunference.

Conclusion:The group presented higher incidence overweight and obesity rather than malnutrition. Anemia was observed in 24,4% with 10,5% of individuals presented serum iron less 50μg/dl. There were less incidence copper and zinc deficiency. Correlation was performed between serum iron, copper and zinc with anthropometry and body composition, being positively significant regarding percent lean mass and fat body, arm fat area, electrical resistence and reatance, respectively. The correlation of body fat mass can be used as Siri's and Slaughter's formula to estimate percentage of body composition. While arm circunference and body mass index estimate body mass are related with obesity.

1 Introdução

A desnutrição é um problema mundial de saúde pública, em especial nos países subdesenvolvidos (GIUGLIANI et al.,1989; KOCHI et al., 1998). Pode ser definida como o desequilíbrio entre a ingestão e a utilização de nutrientes pelo organismo, ocasionando alterações clínicas. Está relacionada com determinantes multicausais, condicionantes biológicos e sociais, como retardo do crescimento, alterações enzimáticas, menor resistência à infecções e menor capacidade de aprendizado, aumento da incidência e gravidade de enfermidades infecciosas, retardo do desenvolvimento psicomotor, diminuição da estatura e da capacidade produtiva na idade adulta (Kochi et al, 1998; Engstrom, Anjos, 1999; Monteiro, Conde, 2000a).

Sua prevalência ainda é bastante alta, 31% segundo a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN) de 1990 quando comparada com outros países (Vieira et al,1998); segundo dados da UNICEF (1990-1998) as formas graves e moderadas de baixo peso para idade é de 40% em países subdesenvolvidos, 31% em países desenvolvidos, 10% na América Latina e Caribe e 30% no mundo como um todo (Nogueira de Almeida et a., 2001).

A World Health Organization - WHO (1997) estima que 38,1% das crianças menores de 5 anos que vivem em países subdesenvolvidos padeçam de comprometimento grave do crescimento (“stunting”) e que 9% apresentem emagrecimento extremo (“wasting”) (Monteiro, Conde, 2000a).

Segundo dados da WHO, baseando-se em pesquisas sobre a desnutrição em todo mundo, a prevalência de comprometimento grave do crescimento na África declinou de 40,5% em 1980 para 35,2% em 2000; na Ásia de 60,8% para 43,7%; na América Latina e Caribe de 25,6% para 12,6%. Em países em desenvolvimento, a desnutrição da criança com comprometimento grave do crescimentotem diminuído progressivamente de 47% em 1980 para 33% em 2000, contudo os dados apresentados confirmam que a desnutrição infantil continua a ser o principal problema de saúde pública em países em desenvolvimento, devido a sua magnitude e conseqüências desastrosas para o crescimento, desenvolvimento e sobrevivência das crianças. Cerca de 1/3 de todas as crianças com idade inferior a 5 anos apresentam comprometimento grave do crescimento, sendo que 70% vivem na Ásia, 26% na África e 4% na América Latina e Caribe (Onis et al, 2000a; Sigulem et al, 2000).

Onis, Blössner (2000b) objetivando estimar as prevalências regional e global de sobrepeso em pré-escolares, utilizando dados representativos de pesquisas conduzidas entre 1985 e 1998 em países em desenvolvimento (da África, Ásia e da América Latina), verificaram que 3,3% ou 17,5 milhões dos pré-escolares tinham sobrepeso nos países em desenvolvimento em 1995. Sendo que o percentual de crianças com sobrepeso foi maior na América Latina e Caribe (4,4%), seguido pela África (3,9%) e Ásia (2,9%). Estimativas regional e global de crianças desnutridas foram realizadas a partir da relação peso para estatura, sendo que a prevalência de desnutrição em países em desenvolvimento permanece alta (9,4%). Esta condição afeta mais de 50 milhões de crianças, na qual África e Ásia possuíam taxas de desnutrição que foi 2.5-3.5 vezes maior que a taxa de sobrepeso.

O “stunting” nutricional na infância, um indicador de desnutrição crônica, tem sido sugerido como um fator que contribui para altas taxas de obesidade em países em desenvolvimento pela associação observada entre “stunting” e obesidade em adolescentes e adultos (Hoffman et al., 2000).

A progressão da transição nutricional também tem sido detectada no Brasil, sendo caracterizada fundamentalmente por redução na prevalência dos déficits nutricionais e ocorrência mais expressiva de sobrepeso e obesidade, observada em sociedades em desenvolvimento que experimentam rápidas e intensas transformações em seu padrão de crescimento econômico e de estrutura demográfica, consideradas como agravos relevantes para a saúde dos indivíduos (Guimarães, Barros, 2001; Mondini, Monteiro, 1998).

Monteiro et al. (1995) analisando dois estudos realizados em 1974 e 1989 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no qual relatavam as mudanças no estado nutricional de crianças e adultos, observaram que as famílias das crianças com menor renda possuíam nas duas pesquisas (1974 -1989), respectivamente relação desnutrição/obesidade de 7:1 e de 5:1; para famílias de renda intermediária a relação foi de 2,5:1 e de 1:1,3; e para famílias de maior renda de 1:2,3 e de 1:7,6; havendo maior índice de obesidade nas mulheres do que nos homens. Outro estudo com dados da PNSN de 1989 constatou que a prevalência da desnutrição infantil diminuiu em famílias com renda igual ou superior a 1,0 salário mínimo e os níveis de obesidade aumentaram tanto em crianças, homens e mulheres (Mondini, Monteiro, 1998).

Vários fatores que influenciam o estado nutricional de crianças como baixo peso ao nascimento, idade materna, doenças infecciosas nos primeiros meses de vida, moradia, falta de saneamento básico, tipo de alimentação nos primeiros meses de vida, acesso a serviços médicos e baixo nível socioeconômico, dentre outros, contribuem para a morbimortalidade e desnutrição (Giugliani et al, 1989; Souza, Gotlieb, 1993; Puccini et al, 1997). Há evidências que crianças que participam de programas de reabilitação nutricional apresentam melhora da relação peso para idade e estatura para idade (Carvalho et al, 1992; Silva, 1998; Tasca, 2002).

Deste modo, a avaliação do estado nutricional tem por objetivo verificar o crescimento e as proporções corporais em indivíduos ou em comunidades por meio da utilização de medidas antropométricas que são de grande importância tanto no diagnóstico precoce como na identificação do período em que ocorreu o déficit nutricional, seja em relação a perda de peso ou diminuição da velocidade de crescimento para aplicação de medidas preventivas. O uso de índices antropométricos tem sido uma estratégia válida para gerar indicadores sensíveis do estado nutricional, tendo como objetivo determinar a massa corporal, expressa pelo peso; as dimensões lineares, especialmente a estatura; e a composição corporal (a gordura subcutânea e a massa muscular). Seus resultados via de regra podem refletir, também, a condição de vida dos grupos populacionais estudados (Carvalho et al., 1992; Ell et al.,1992; Monteiro, 1984; Sigulem et al., 2000; Victoria et al., 1998; Guimar, Barros, 2001). Porém o perfil antropométrico de grupos populacionais de baixa renda que freqüentam instituições parece ser menos deficitário do que daqueles que não freqüentam (SILVA, 1998).

Recentemente foi proposta uma abordagem da composição corporal que considera cinco níveis de modelos: atômico, molecular, celular, tecidual/sistemas e corporal total. No nível corporal total estão a altura, comprimento dos segmentos, larguras do corpo, circunferências, dobras cutâneas, área superficial corporal, peso, índice de massa corporal e densidade do corpo (Barros Filho, 2001).

Várias técnicas são utilizadas para avaliar a composição corporal. Em sua maioria elas se baseiam no modelo de dois compartimentos, ou seja, massa gorda e massa magra (ou livre de gordura). É importante definir que massa gorda corresponde ao tecido adiposo. Massa livre de gordura refere-se a todos os resíduos químicos ou tecidos livre de lipídios, incluindo água, músculo, tecido conjuntivo, osso e órgãos internos. E a massa magra pode ser definida como a massa livre de gordura mais os lipídios essenciais (Barros Filho, 2001).

A análise da composição corporal é importante para avaliação do estado nutricional do indivíduo, tanto na saúde como na doença. É útil ainda para definir e controlar obesidade e desnutrição (Eisenkölbl et al., 2001; Beerterma et al., 2000).

Há diferentes métodos para avaliar a composição corporal em crianças como a antropometria, estimativa da água corporal total, hidrodensitometria, DEXA e análise por impedância elétrica (Mast et al., 2002). Dentre os métodos antropométricos estão o índice de peso para estatura, dobras cutâneas, área de gordura do braço, área muscular do braço. A maioria dos métodos baseia-se na possibilidade de medir as dobras cutâneas em locais selecionados, usando equações de regressão, seja com a soma das dobras e/ou com combinação de outras medidas. Além das equações usadas para estimar a porcentagem de gordura corporal total, pode-se utilizar a dobra cutânea tricipital e a circunferência do braço para estimar a área muscular do braço e a área de gordura do braço. O índice de massa corporal tem sido usado para identificar sobrepeso e obesidade (Barros Filho, 2001).

Outra técnica utilizada é a bioimpedância ou impedância elétrica, que se baseia na resistência elétrica a uma corrente de 50 KHz no corpo humano, estando relacionada à quantidade de água e à massa livre de gordura. A introdução de uma corrente de baixa amperagem no corpo mede a condutividade que está intimamente relacionada com a massa magra. Assim, ocorre uma relação entre o volume do condutor (corpo humano), o comprimento do condutor (a altura do sujeito), os componentes do condutor (massa gorda e massa magra) e a impedância (Z). Como a técnica é não invasiva, simples, precisa e barata, pode ser usada em crianças, idosos ou em estudos epidemiológicos (Barros Filho, 2001).

As diferenças sexuais na composição relativa de massa livre de gordura são irrelevantes durante o primeiro ano de vida e se torna aparente aos três anos de idade, quando o menino já começa a apresentar maior densidade e massa muscular e a menina maior massa gorda. Durante a adolescência as diferenças sexuais tornam-se mais evidentes, no estirão os meninos apresentam mais massa livre de gordura enquanto que as meninas mais massa gorda. Entre as idades de 10 e 20 anos o incremento médio da massa livre de gordura é de 33kg nos meninos e 16 Kg nas meninas. A composição estimada da massa livre de gordura no fim da fase pré-púbere parece estar se aproximando aos valores de referência do adulto. A maior diferença se dá no conteúdo mineral, que aumenta consideravelmente na segunda década de vida. O ganho em mineral esquelético entre os 10 anos e no adulto jovem reflete o crescimento e a maturação do esqueleto durante o estirão puberal. O conteúdo relativo de minerais nos meninos aumenta de 5,4% aos 10 anos de idade para 6,1% entre 17 e 20 anos e nas meninas vai de 5,2% para 6,1% entre o início e fim da puberdade (Barros Filho, 2001).

Além do déficit pôndero-estatural e da vulnerabilidade às doenças infecto-parasitárias, a desnutrição energético-protéica se correlaciona com outras carências nutricionais como de micronutrientes. Estima-se que cerca de 2,15 bilhões de indivíduos possuam algum tipo de carência nutricional, ainda que apenas 1/3 deles apresentem evidências clínicas do problema. Vários fatores podem contribuir para o surgimento da anemia, como doenças genéticas, infecções e a deficiência de diversos nutrientes. É prevalente em lactentes, pré-escolares e adolescentes, sendo decorrente da combinação entre necessidades elevadas de ferro, impostas pelo crescimento rápido e dietas pobres no mineral, sobretudo em ferro de alta biodisponibilidade, limitando a capacidade de absorção também pela alta prevalência de parasitismo e sangramento gastrintestinal (Lanzkowsky, 1985; Dallman et al., 1980; Margolis et al., 1981; Monteiro et al, 2000b; Paiva et al., 2000; Oliveira et al., 2002).

A anemia por deficiência de ferro é atualmente o problema nutricional mais prevalente, afetando cerca de 1,3 bilhões de pessoas, com aumento da sua prevalência e morbidade em crianças e mulheres grávidas (Tsuyoka et al., 1999; Lukens, 1990). A Organização Mundial de Saúde - OMS (1998) estima que metade da população de crianças com idade inferior a 4 anos nos países em desenvolvimento sofre de anemia (Silva et al., 2001). Considerada como deficiência nutricional específica de maior prevalência e impacto social no mundo, diferencia-se de outras condições carenciais na medida que sua ocorrência não se limita apenas à populações de baixa renda, desnutridos ou indivíduos submetidos à condições especiais de risco, mas acomete também grupos mais favorecidos e de condição global adequada. Outras anemias nutricionais de menor importância, do ponto de vista epidemiológico, incluem a anemia megaloblástica por deficiência de ácido fólico e vitamina B12, anemia microcítica por deficiência de vitamina B6 e cobre (Bottoni et al., 1997).

O ferro é um nutriente essencial para o crescimento, possui papel vital na estrutura molecular da hemoglobina, responsável pelo transporte e armazenamento de O2, participando da ativação molecular do oxigênio e nitrogênio (como nitrogenases, oxigenases e oxidases), transporte de elétrons para a respiração celular, na síntese de DNA como co-fator de algumas reações enzimáticas vitais. A ferropenia pode ser considerada como o resultado final de um longo período de balanço negativo de ferro. À medida que os níveis corporais vão diminuindo, ocorre uma seqüência de eventos. Inicialmente, há redução dos estoques de ferro no sistema retículo endotelial (fígado, medula óssea, baço, dentre outros) seguida por diminuição da disponibilidade do elemento nos órgãos e tecidos. A seguir, ocorre eritropoiese deficiente, aonde o suprimento de eritrócitos está diminuído mas não o de hemoglobina circulante. Nessa fase podem aparecer sinais e sintomas inespecífícos como astenia, sonolência e queda do rendimento intelectual. Finalmente, há diminuição da síntese de hemoglobina, nos precursores eritróides da medula óssea, levando à produção de hemácias microcíticas e à anemia por deficiência de ferro (Cook, 1982; Garcia et al., 1998; Paiva et al., 2000).

Vários trabalhos têm sido realizados para detectar a prevalência de anemia em crianças e adolescentes. Em Aracaju - SE, foi realizado um estudo em escolas públicas com crianças e adolescentes no qual se observou prevalência de 26,7% de anemia (Tsuyoka et al., 1999). Na Indonésia, foram estudados adolescentes de 12 a 15 anos, das áreas urbana e rural da cidade de Java verificando-se prevalências de anemia em 26% das meninas; 24,5% nos meninos pré-púberes e 12,1% nos meninos púberes (Soekarjo et al., 2001).

Ahmed et al. (2000) investigando a prevalência de anemia e deficiência de ferro em adolescentes do sexo feminino da periferia de Bangladesh observaram que 27% eram anêmicas (Hb < 12 g/dl) e 17% tinham depleção dos estoques de ferro (ferritina sérica < 12 μg/dl). Em Taboão da Serra - SP, foi relatado que 17,6% das adolescentes eram anêmicas, sendo mais freqüente nas meninas que não tinham menstruado e 29,4% tinham deficiência de ferro (FUJIMORI et al., 1996).

Miglioranza et al. (2002) estudando 526 crianças e adolescentes que freqüentavam Unidades Educacionais Públicas de Londrina - PR, com faixa etária de 7-14 anos, detectaram prevalência de anemia de 41,3%, não havendo diferença estatística quanto ao sexo.

No município de Rio Acima - MG, Norton et al. (1996) estudando crianças de 7 a 15 anos de idade verificaram que os níveis de hemoglobina não diferiram quanto ao sexo e idade, mas foi significantemente menor em negros do que em brancos e mulatos.

Tershakovec, Weller (1991) avaliando crianças negras de baixo nível socioeconômico da cidade de Filadélfia - USA, relataram baixa prevalência de deficiência de ferro.

Outras deficiências podem ocorrer em função da maior necessidade para o crescimento, como a de cobre e de zinco que fazem parte da estrutura das metaloenzimas e agem como co-fatores enzimáticos, estando, pois, envolvidas em diversas funções metabólicas, inclusive as inerentes ao crescimento linear e a composição corporal (Chacón et al., 1998).

A deficiência de cobre foi primeiramente identificada em lactentes recuperados de desnutrição e diarréia crônica. Na infância, o rápido crescimento esquelético e as necessidades para o desenvolvimento cerebral aumentam a demanda por cobre, sendo um fator essencial para a atividade catalítica da lisina-6-oxidase, superóxido-dismutase, citocromo-c-oxidase e ceruloplasmina. Estas enzimas são essenciais para a respiração celular normal, defesa contra radicais livres, síntese de melanina, biossíntese de tecido conectivo e metabolismo celular de ferro. A homeostase do cobre é altamente regulada por fenômenos que dependem da quantidade de cobre presente no lúmen intestinal, taxa entre inibidores e estimuladores e o estado nutricional em cobre (Olivares et al., 2000).

O cobre é um nutriente necessário ao crescimento normal, ao mecanismo de defesa do organismo, ao crescimento ósseo, à maturação de células brancas e vermelhas, ao transporte de ferro e ao desenvolvimento cerebral. Na deficiência, há diminuição dos níveis séricos de cobre assim como de ceruloplasmina (Mahan, Arlin, 1995; Olivares et al.,1998).

O zinco é o que possui maior influência no crescimento, estando envolvido na síntese de proteínas e ácidos nucléicos, no aumento da síntese do fator de crescimento como IGF-1 e seu efeito em tecidos-alvo. Sua deficiência predispõe, entre outros, ao retardo do crescimento, redução das funções neurosensoriais, distúrbios metabólicos de vários hormônios e enzimas envolvidos no crescimento e desenvolvimento ósseo, retardo na cicatrização de feridas, alopecia, lesão de pele, atraso na maturação sexual e imunodeficiências (Mahan, Arlin, 1995; Rose, 1983; Bouglé et al., 2000; Porto et al., 2000).

Alguns estudos mostraram que a suplementação com zinco aumenta o crescimento linear, o ganho de peso em pré-púberes correlacionando-o com a melhora do apetite e a massa magra. Parece que o tempo de suplementação influencia os resultados obtidos (Cavan et al., 1993; Chacón et al., 1998; Friis et al., 1997; Brown et al., 2002; Rahman et al., 2002).

Crianças com anemia falciforme apresentaram déficit de peso e estatura, diminuição dos níveis séricos de zinco e ferritina e níveis aumentados de cobre, e após suplementação de zinco tiveram melhora da taxa do crescimento linear e dos escores Z da circunferência do braço e área muscular do braço (Pellegrini-Braga et al., 1995; Zemel et al., 2002).

Em algumas patologias há alteração dos níveis séricos ou plasmáticos de zinco e cobre, como na doença inflamatória intestinal em adultos que apresentam aumento dos níveis séricos de cobre e diminuição de zinco sérico (Fernández-Banares et al., 1990); e em crianças com colite alérgica verificou-se redução na concentração sérica de zinco e de selênio, estando normais os níveis de cobre sérico, sendo que a baixa concentração de zinco e selênio pode ser conseqüência dos baixos níveis de albumina (Ojuawo et al., 1996). Em um estudo verificou-se que pacientes com artrite reumatóide juvenil possuíam alteração do metabolismo de cobre e zinco, com aumento da concentração sérica de cobre e manutenção dos níveis séricos de zinco (Chaud, 1998).

Estévez et al. (1988) estudando indivíduos entre 2 e 70 anos de idade dos sexos feminino e masculino, verificaram deficiência de zinco em 19,6% da população em geral com maior incidência no sexo feminino nas faixas etárias de 3-7 anos, 12-19 anos e 19-45 anos de idade, e quanto a deficiência de cobre em 7% da população em geral, nas faixas etárias de 12-19 anos (feminino) e 7-12 anos e 12-19 anos (masculino).

Fávaro, Vannucchi (1990) estudando crianças de 2 a 7 anos de idade da periferia de Ribeirão Preto - SP, observaram que 14% das meninas e 11,7% dos meninos apresentaram níveis plasmáticos de zinco inferiores a 70 μg/dl. AMAYA et al. (1997) encontraram valores de zinco plasmático abaixo de 72 μg/dl em 38,36% das crianças venezuelanas entre 3 meses e 8 anos de idade pertencentes a famílias de baixa renda.

Alarcón et al., (1997) avaliando ferro, cobre e zinco em 320 pré-escolares com idade de 7-14 anos residentes na cidade de Mérida, Venezuela constataram que os níveis séricos de zinco aumentaram com a idade não havendo diferença entre meninos e meninas, e o cobre diminuiu com a idade nos meninos e aumentou nas meninas, e sem diferença quanto à concentração de ferro entre os grupos.

Gibson et al. (2000) estudando a inter-relação da concentração de zinco e composição corporal em crianças da Nova Zelândia, observaram que não houve diferença entre o sexo feminino e masculino quanto ao zinco sérico, mas crianças com baixa concentração de zinco no cabelo eram mais pesadas do que aquelas que tinham maior concentração capilar do elemento.

Karakas et al. (2001) verificando os níveis de zinco e cobre em crianças com giardíase ou amebíase observaram que os níveis de zinco antes do tratamento eram baixos e após o tratamento houve aumento significante, e quanto ao cobre houve redução após o tratamento medicamentoso.

Marreiro et al. (2002) estudando crianças e adolescente obesos constataram que estes possuíam redução na concentração de zinco plasmático e zinco eritrocitário.

Considerando o exposto, decidiu-se investigar em crianças e adolescentes de baixo nível econômico, porém institucionalizados o índice antropométrico e de composição corporal, como indicadores sensíveis do estado nutricional e o “status” em ferro, cobre e zinco pela importância desses nutrientes em fases de crescimento.

1.1 Objetivo

Avaliar a antropometria e a composição corporal e o estado nutricional em ferro, cobre e zinco, segundo o gênero, de crianças e adolescentes institucionalizadas, moradores de duas favelas da cidade de São Paulo.

2 Métodos

2.1 População estudada

No período de agosto de 2001 à outubro de 2002 foi realizado estudo transversal com 86 das 140 crianças e adolescentes dos sexos feminino e masculino, com faixa etária entre 07 e 15 anos, moradores em favelas da zona Sul de São Paulo, que freqüentavam o Centro de Juventude da Associação dos Cavaleiros da Soberana Ordem Militar de Malta de São Paulo e Brasil/Meridional.

Estas crianças e adolescentes são moradores de duas favelas da cidade de São Paulo, Rocinha e Beira Rio. Ambas estendem-se ao longo do córrego da Água Espraiada, próximo ao Aeroporto de Congonhas. A Associação também chamada de Centro Assistencial Cruz de Malta é patrocinada por uma entidade internacional não-governamental que possui programa de assistência em mais de 80 países por meio de Associações Nacionais.

A Associação de São Paulo e Brasil/Meridional mantém na periferia Sul da Capital, um Centro Médico e Sócio Educativo, uma Creche e um Centro de Juventude que atendem gratuitamente uma faixa da população carente. Os serviços prestados no Centro Médico e Sócio Educativo incluem atendimento médico sob a forma de consultas (clínica geral, pediatria, obstetrícia, ginecologia e oftalmologia), análises clínicas, serviço odontológico, vacinas, educação sanitária e aulas de higiene e puericultura, aliadas à suplementação alimentar.

A Creche Cruz de Malta abriga 180 crianças, em regime de semi-internato. Sua permanência na Instituição permite que as mães trabalhem, contribuindo para o orçamento doméstico. Por outro lado, alimentação equilibrada, cuidados médicos e estimulação psicomotora visam proporcionar às crianças desenvolvimento adequado.

O Centro de Juventude Cruz de Malta atende 140 meninas e meninos de 07 a 15 anos de idade no período que não estão na escola, recebendo assim alimentação, orientação, atendimento médico e odontológico e apoio para o aprendizado escolar. Desenvolvem ainda atividades esportivas e de lazer; sendo que os cursos dedicados aos adolescentes incluem computação, marcenaria, arte em papel, coral e capoeira.

Os indivíduos estudados foram divididos em dois grupos, segundo o gênero.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo/Hospital São Paulo (Anexo 1), tendo sido necessário o consentimento por escrito dos pais ou responsáveis.

2.2 Critérios de inclusão

    • Ausência de hospitalização nos últimos 30 dias.
    • Ausência de doenças crônicas conhecidas.

2.3 Avaliação do nível econômico

Foi determinada pela renda mensal em salários mínimos per capita (SMPC) definido como o quociente de números de salários mínimos percebidos pelo número de pessoas que compõe a família (Pedrazzani et al., 1988). Considerando que o salário mínimo no período do estudo era de R$ 200,00 (duzentos reais).

2.4. Avaliação antropométrica

A tomada de dados foi realizada entre 10:00 e 12:30 horas.

2.4.1 Peso e Estatura

As crianças e adolescentes foram pesados usando roupas leves e descalços, sendo utilizada balança Filizola® com capacidade de 150 kg e graduação em 100 gramas. Para aferição da estatura foi utilizado antropômetro vertical com graduação em centímetros, estando o indivíduo em posição ereta e os braços estendidos ao longo do corpo, com o queixo em posição perpendicular ao antropômetro, sendo o esquadro deslizado até tocar no ápice da cabeça (Jellife,1968). O peso corporal foi expresso em quilogramas (Kg) e a estatura em centímetros (cm).

Para o cálculo do escore Z da relação estatura para idade (E/I) foi utilizado o programa Epi Info, versão 2002, utilizando-se como padrão de referência os dados do National Center for Health Statistics - NCHS (CDC, 2000). Valores do escore Z da relação E/I abaixo de - 2 desvios-padrão classificaram os indivíduos em baixa estatura (WHO, 1995).

O Índice de Massa Corporal (IMC) ou Índice de Quetelet (Quetelet, 1869), obtém-se pela fórmula peso / (estatura)2. Os valores obtidos foram comparados aos valores de referência do National Center for Health Statistics - NCHS (WHO, 1995; KUCZMARSKI et al., 2000). Os indivíduos foram classificados em relação ao IMC (HIMES & DIETZ, 1994) em:

  • Normais: valores situados entre os percentis (P) 5 e 85;
  • Desnutridos valores ≤ P5;
  • Sobrepeso: valores ≥ P85 e < P95;
  • Obesos: ≥ P95.

Foi calculado o escore Z do índice de Massa Corporal das crianças e adolescentes utilizando o programa Epi Info 2002.

2.4.2 Circunferência Braquial

Esta medida foi realizada em cm, com fita métrica inextensível, com a criança em pé, com os braços estendidos ao longo do tronco, com as palmas das mãos viradas para a coxa, com roupas leves, sem mangas permitindo total exposição da área dos ombros. Para localizar o ponto médio, o cotovelo foi flexionado a 90°, sendo medida a distância entre o acrômio e o olécrano, marcando o ponto médio entre os dois extremos. A fita foi posicionada perpendicularmente ao eixo longo do braço no ponto médio marcado e a circunferência foi medida para o valor próximo de 0,1 cm (Frisancho,1974).

2.4.3 Dobras Cutâneas

Para mensuração das dobras cutâneas foi utilizado Lange Skinfold Caliper que exerce uma pressão de 10 g/mm2 e com precisão de 1 mm. A leitura do valor das dobras cutâneas foi feita cerca de 3 segundos após relaxamento da pressão do aparelho. Com o polegar e o indicador da mão esquerda elevou-se uma dobra da pele e do tecido adiposo subcutâneo cerca de 1 cm acima do local onde foi medida a dobra cutânea. Foram feitas 3 medidas consecutivas, calculando-se a média entre elas (Frisancho,1981). Foram avaliadas a dobra cutânea do tríceps (localizado na parte posterior do braço sobre o músculo do tríceps); dobra cutânea do bíceps (na parte anterior do braço sobre o músculo do bíceps); dobra cutânea supra-ilíaca (localizada aproximadamente a 2,5 cm acima da crista ilíaca) e dobra cutânea subescapular (no ângulo inferior da escápula, em posição diagonal a 45°).

A medida da circunferência braquial foi convertida em mm, para o cálculo da área do braço (AB), área muscular do braço (AMB) e área de gordura do braço (AGB) segundo Frisancho (1974). Foram calculados os escores Z de cada variável utilizando valores de referência de Frisancho (1990).

Área do braço

A (mm2) = π * d2
                         4

sendo, d = c
                           π

c = circunferência do braço convertido para mm

Os resultados foram expressos em cm2.

Área muscular do braço

M (mm2) = (c - πT)2
                             4π

sendo, T = dobra cutânea do tríceps

Os resultados foram expressos em cm2.

Área de gordura do braço

F (mm2) = A - M

Os resultados foram expressos em cm2.

2.4.4 Bioimpedância elétrica

A bioimpedância elétrica foi realizada utilizando o aparelho RJL System, modelo 101®. A criança estava em jejum por pelo menos duas horas e não foi alimentada durante o procedimento (Lukaski, 1987; Deurenberg et al., 1989; LOHMAN et al., 2000). A criança estava sem sapatos e foi colocada em decúbito dorsal sobre uma superfície plana, com os membros superiores ligeiramente afastados do tronco. Dois eletrodos foram colocados na superfície dorsal da mão direita, sobre a linha média, um em nível da junção metacarpofalangiana e outro em nível da linha que une as proeminências da ulna e do rádio. Os eletrodos do pé direito foram colocados na superfície dorsal, sobre a linha média, em nível da junção metatarsofalangiana e em nível da linha que une os maléolos lateral e medial (Lukaski, 1987; Kushner, Schoeller, 1986; Fjeld et al., 1990). Foram realizadas três medidas consecutivas, calculando-se a média entre elas.

A impedância elétrica baseia-se na corrente elétrica aplicada no organismo, o qual contém fluidos intra e extracelulares que se comportam como condutores elétricos. A condução elétrica é representada pela distribuição de água e eletrólitos, massa magra incluindo matriz protéica do tecido adiposo, sendo que a condutividade é maior na massa magra do que na massa gorda que irá agir como isolante conduzindo pequena corrente elétrica.

Impedância é a freqüência oposta ao condutor em relação ao fluxo da corrente elétrica aplicada. Esta oposição possui dois componentes ou vetores denominados resistência (R) e reatância (Xc). Resistência é a oposição de um condutor para o fluxo da corrente, ou seja, é o inverso da condutância ou a capacidade de um objeto transmitir uma corrente elétrica. De acordo com a Lei de Ohms resistência (R) é igual a voltagem (E) dividida pela corrente elétrica (I), ou R=E/I.

Reatância é a capacitância ou a voltagem estocada por um condensador por um período curto; no corpo a reatância está associada com vários tipos de polarização que podem ser produzidos por membranas celulares e interfaces teciduais (Lukaski, 1996).

Os volumes biológicos determinados eletricamente são inversamente relacionados com impedância (Z), resistência (R) e reatância (Xc), onde:

Z = (R2 + Xc2)½

Supondo que estes dois compartimentos (massa magra e massa gorda) agem em paralelo, a impedância (Z) corporal é controlada quase que exclusivamente por uma baixa impedância do componente magro. A impedância (Z) deste componente é:

Z =ρL
              A

Onde:

Z = impedância

ρ = resistividade (ohm-cm)

L = comprimento (cm)

A = área de secção transversa (cm2)

E admitindo que o compartimento da massa magra é cilíndrico, a equação pode ser reescrita multiplicando L/L:

Z = ρL 2= ρL 2
             AL         V

Se a resistividade é constante então L2/Z será diretamente proporcional ao volume do compartimento magro:

V = ρL2ou V = ρL2
              Z                 R

2.4.5 Análise da composição corporal

Para a análise da composição corporal foram calculadas a massa gorda e a massa magra em quilogramas (kg) e em percentual (%), segundo metodologias de Siri (1961) e Slaughter et al. (1988).

A densidade corporal foi estimada por meio das fórmulas propostas por Brook (1971), que utiliza o logaritimo da somatória de quatro dobras cutâneas (bíceps, tríceps, suprailíaca e subescapular), a saber:

  • Meninos de 0 a 131 meses = 1.169 - 0.0788 * log da somatória das quatro dobras cutâneas (bíceps, tríceps, supraíliaca e subescapular).
  • Meninos de 132 a 189 meses = 1.1533 - 0.0643 * log da somatória das quatro dobras cutâneas (bíceps, tríceps, supraíliaca e subescapular).
  • Meninas de 0 a 131 meses = 1.2063 - 0.0999 * log da somatória das quatro dobras cutâneas (bíceps, tríceps, supraíliaca e subescapular).
  • Meninas de 132 a 189 meses = 1.1369 -0.0598 * log da somatória das quatro dobras cutâneas (bíceps, tríceps, supraíliaca e subescapular).

2.4.5.1 Percentual de massa gorda

Os percentuais de massa gorda foram calculados pela equação de SIRI (1961):

% MG = [(4,95 / D) - 4,5] * 100

Onde: D= densidade corporal (Brook, 1971)

2.4.5.2 Percentual de massa magra

% MM = (Peso - MG) * 100
                                Peso

Onde: MG = massa gorda em kg

Slaughter et al. (1988) utilizaram a somatória de duas dobras cutâneas (tríceps e subescapular), com fórmulas específicas quando a soma for maior ou menor que 35 mm, são elas:

Soma < 35 mm:

  • Meninos = 1,21(Σ 2 dobras) - 0,008(Σ 2 dobras2) - 1,7
  • Meninas = 1,33(Σ 2 dobras) - 0,013(Σ 2 dobras2) - 2,5

Soma > 35 mm:

  • Meninos = 0,783(Σ 2 dobras) + 1,6
  • Meninas = 0,546(Σ 2 dobras) + 9,7

Os percentuais de massa gorda e magra foram comparados com o padrão de referência de Fomon et al. (1982) em crianças até 10 anos de idade e Haschke (1989) em crianças maiores de 10 anos.

Pelos dados da resistência e reatância obtidos da bioimpedância, foram calculados:

 E 2= cm2
        R     ohm

Onde: E = estatura, em cm, ao quadrado

R= resistência (ohm)

2.4.6 Avaliação bioquímica

Para as determinações bioquímicas foram coletados 13 ml de sangue por meio de seringas e agulhas descartáveis, estando os participantes em jejum de pelo menos 3 horas. Após obtenção do soro, este foi armazenado em tubos de polipropileno tampados, a - 18 °C até o momento das dosagens.

Todos os reagentes utilizados foram de grau analítico e o material de laboratório que entrou em contato com as amostras foram imersos em HNO3 5N por 24 horas, para a remoção dos contaminantes metálicos (Peaston, 1973; Murthy et al., 1973). Utilizou-se água desionizada obtida do sistema Milli-Q Plus System (Millipore Co.).

2.4.6.1 Hemoglobina e Hematócrito

Separou-se 2 ml de sangue no tubo contendo 0,5 ml de EDTA (ácido etileno diamino tetra acético) como anticoagulante. A dosagem de hemoglobina e hematócrito foram realizados pelo método colorimétrico analisado no aparelho automatizado Cell-Dyn 3800. Anemia foi determinada segundo WHO (2001) com níveis de hemoglobina < 11,5 g/dl (crianças entre 5 e 11 anos); < 12 g/dl (entre 12 e 14 anos, e meninas acima de 15 anos) e < 13 g/dl (meninos com idade acima de 15 anos).

2.4.6.2 Ferro e Ferritina séricos

O ferro sérico foi determinado pelo método colorimétrico, utilizando o kit IRON ® da Bayer. A ferritina foi determinada pelo kit IMMULITE - FERRITIN ® da Diagnostic Products Corporation que utiliza o método imunométrico com substrato quimioluminescente.

Apesar de não existir completa uniformidade na literatura, os seguintes limites foram considerados indicativos de deficiência de ferro: Ferro sérico < 50μg/dl; ferritina sérica < 12 ng/ ml. (Mabry, Tetz, 1983; Dallman, Reeves, 1984; Lukens, 1990; Lanzkowsky, 1985; Morais et al., 1992).

2.4.6.3 Cobre e Zinco séricos

As amostras de soro foram diluídas em água Milli-Q, na proporção de 1:10 (Whitehouse et al., 1982) e as concentrações de cobre e zinco foram determinadas por espectrofotometria de absorção atômica (“Perkin Elmer” modelo 5.100) nas seguintes condições:

    • Comprimento de onda: 324,8 nm (Cu) e 213,9 nm (Zn);
    • Fenda: 0,7 nm;
    • Chama oxidante acetileno/ar, com fluxo de 2,0:10 l/min,

respectivamente;

    • Leitura em duplicata com tempo de integração de 2 segundos;
    • Energia: 71 (Cu) e 65 (Zn).

Soluções-padrão de 100 mg metal/l (Perkin Elmer, PEN 4300183 para o Cu e PEN 9300178 para Zn), foram diluídos em glicerol a 10 % (Cu) e glicerol 5% (Zn) resultando em soluções-padrão de trabalho contendo 0,1; 0,2; 0,5 e 1,0 mg Cu ou Zn/l. A acurácia foi monitorada pela comparação com a solução comercial Quality Control Standard 21 (Perkin-Elmer, PEN 9300281) para ambos os elementos. Os resultados foram expressos como μg Cu e Zn/dl.

Adotou-se como valores de referência para o sexo masculino de 70 a 140 μg Cu/dl e de 65 a 120 μg Zn/dl e para o sexo feminino de 80 a 155 μg Cu/dl e de 60 a 120 μg Zn/dl (Gibson,1990).

2.4.7 Análises Estatísticas

As diferentes variáveis coletadas e calculadas para cada criança estudada foram digitadas em planilha do programa Microsoft Excel 2000® . As análises estatísticas foram realizadas com o programa Epi Info 2002® (Dean, 1999) (software de domínio público do “Centers for Disease Control and Prevention - CDC”, Atlanta, USA).

Para as comparações dos resultados de variáveis quantitativas de distribuição paramétrica, entre dois grupos, utilizamos o Teste t de Student (Siegel, Castellan Jr., 1988). Para as comparações dos resultados de variáveis quantitativas de distribuição não paramétrica, entre dois grupos, utilizamos o Teste de Mann-Whitney (Siegel, Castellan Jr.,1988). Nas comparações das freqüências de diferentes variáveis qualitativas empregamos o Teste do qui-quadrado (Fleiss, 1981) ou o Teste Exato de Fisher (Fleiss, 1981). Na avaliação das correlações entre diferentes pares de variáveis quantitativas, empregamos o Coeficiente de Correlação de Pearson (Dixon, Massey Jr., 1983). Adotou-se α ≤ 0,05.

3 Resultados

Tabela 1. Distribuição dos indivíduos estudados, segundo a renda mensal per capita em salários mínimos.

Renda mensal per capita
(salários mínimos)

Indivíduos estudados

N

%

< 0,5

68

79,0

0,5 | 1,5

17

19,8

1,5 |- 2,5

1

1,2

Total

86

100,0

Tabela 2. Características do grupo estudado, de acordo com o sexo.

Grupo estudado

 

Feminino
(n=50)

Masculino
(n=36)

Valor de p
 

 

X ± DP

X ± DP

 

Idade (anos)

10,4 ± 2,2
(7,2 / 15,0)

9,8 ± 1,8
(7,3 / 14,0)

0,17

Peso (kg)

38,4± 13,4
(19,0 / 69,6)

31,5 ± 9,9
(21,1 / 66,8)

0,01

Estatura (cm)

138,7 ± 13,4 1
(111,0 / 164,0)

34,4 ± 12,0
(117,5 / 165,5)

0,12

Circunferência do braço (cm)

21,0 ± 3,5
(15,0 / 31,3)

19,0 ± 2,7
(16,0 / 29,6)

<0,01

Dobra cutânea do tríceps (mm)

12,4 ± 5,0
(4,6 / 28,3)

8,2 ± 3,1
(5,0 / 21,0)

<0,01

Dobra cutânea subescapular (mm)

10,4 ± 5,8
(4,0 / 24,5)

6,0 ± 3,6
(3,1 / 23,0)

<0,01

Resistência ()

661,8 ± 96,5
(461,7 / 924,6)

611,3 ± 71,8
(467,0 / 738,0)

<0,01

Reatância ()

67,1 ± 8,7
(50,0 / 95,0)

64,6 ± 7,0
(52,0 / 82,0)

0,14

E2/R (cm2/ohm)

30,3 ± 8,5
(17,3 / 48,4)

30,5 ± 8,8
(19,9 / 58,6)

0,89

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste t de Student

Figura 1. Comparação do peso corporal (Kg) com o percentil 50 do padrão de referência para a idade, no sexo feminino.

Figura 2. Comparação do peso corporal (Kg) com percentil 50 do padrão de referência para a idade, no sexo masculino.

Figura 3. Comparação da estatura (cm) com percentil 50 do padrão de referência para a idade, no sexo feminino.

Figura 4. Comparação da estatura (cm) com percentil 50 do padrão de referência para a idade, no sexo masculino.

Tabela 3. Valores médios do escore Z da relação estatura para a idade (Z E/I), segundo o gênero.

Escore Z da relação E/I

Gênero

X ± DP

Percentis 25 / 75

Feminino
(n=50)

-0,3 ± 0,9
(-3,1 / 1,6)

-0,9 / 0,2

Masculino
(n=36)

-0,5 ± 0,8
(-2,3 / 1,2)

-1,1 / -0,0

Valor de p

0,27

 

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste t de Student

Tabela 4. Classificação do estado nutricional dos indivíduos estudados de acordo com os percentis do Índice de Massa Corporal - IMC, segundo o sexo.

IMC

Feminino
(n=50)

Masculino
(n=36)

N

%

N

%

< P 5
(desnutrição)

1

2%

2

5,6%

P 5 e P 85
(eutrofia)

34

68%

30

83,3%

≥ P 85 e < P 95
(sobrepeso)

5

10%

1

2,8%

≥ P 95
(obesidade)

10

20,0%

3

8,4%

Tabela 5. Freqüência de sobrepeso e obesidade nas crianças e adolescentes estudados, segundo o gênero.

Sexos

Sobrepeso e obesidade

Feminino

Masculino

Valor de p

Sim

15 (30%)

4 (11,2%)

0,04

Não

35 (70%)

32 (88,8)

 

p nível descritivo do Teste do Qui-quadrado

Tabela 6. Mediana do escore Z do Índice de Massa Corporal (IMC) das crianças e adolescentes estudados, segundo o sexo.

Escore Z do IMC

Sexo

Md

Percentis 25 / 75

Feminino

0,6
(-2,1 / 2,3)

- 0,2 / 1,2

Masculino

0,0
(-1,7 / 1,8)

- 0,3 / 0,5

Valor de p

0,02

 

() variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste de Mann-Whitney

Figura 5. Box Plot (Mediana - 25% - 5%) do escore Z do Índice de Massa Corporal (Z IMC) das crianças e adolescentes moradores de favelas na cidade de São Paulo, segundo o sexo.

Teste Mann-Whitney: p = 0,01

Tabela 7. Valores médios do escore Z da área o braço, área muscular do braço e da área de gordura do braço dos indivíduos estudados, segundo o gênero.

Indivíduos estudados

Escore Z

Feminino
(n=50)

Masculino
(n=36)

Valor de p

Área do braço (cm2)

-0,2 ± 0,8
(-1,5 / 2,2)

-0,6 ± 0,6
(-1,5 / 1,4)

0,01

Área muscular do braço (cm2)

-0,2 ± 0,9
(-1,9 / 2,1)

-0,7 ± 0,7
(-1,9 / 1,4)

0,01

Área de gordura do braço (cm2)

-0,2 ± 0,8
(-1,2 / 2,3)

-0,4 ± 0,5
(-1,0 / 1,5)

0,09

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste t de Student

Figura 6. Box Plot (Média - 1DP - 2DP) dos escores Z de Área do Braço (Z AB) das crianças e adolescentes moradores de favelas na cidade de São Paulo, segundo o sexo.

Teste t de Student: p = 0,01

Figura 7. Box-Plot (Mediana - 25% - 5%) do escore Z da Área Muscular do Braço (Z AMB) das crianças e adolescentes moradores de favelas na cidade de São Paulo, segundo o sexo.

Teste Mann-Whitney: p = 0,01

Tabela 8. Mediana do percentual de gordura corporal das crianças e adolescentes estudados, calculados pelos métodos de Siri e Slaughter.

Percentual de Gordura Corporal

Métodos

Feminino
(n=50)

Masculino
(n=36)

Valor de p

Siri

23,1
(7,7 / 38,6)

14,9
(10,3 / 30,4)

0,01

Slaughter

18,9
(9,2 / 38,5)

11,9
(9,0 / 32,8)

< 0,01

Padrões de Referência

21,8

13,5

 

a Fomon et al. (1982) e Hasckhe (1989)
( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste de Mann-Whitney

Figura 8. Box Plot (Mediana - 25% - 5%) do percentual de gordura das meninas moradoras de favelas na cidade de São Paulo, calculados segundo métodos de Siri e Slaughter e comparação com os padrões de referência utilizados.

Figura 9. Box Plot (Mediana - 25% - 5%) do percentual de gordura dos meninos moradores de favelas na cidade de São Paulo, calculados segundo os métodos de Siri e Slaughter e comparação com os padrões de referência utilizados.

Tabela 9. Média da concentração de hemoglobina (g/dl) nas crianças e adolescentes estudados, segundo o gênero.

Gêneros

Hemoglobina (g/dl)
X ± DP

Feminino
(n=50)

12,1 ± 0,9
(10,3 / 14,0)

Masculino
(n=36)

12,2 ± 1,2
(8,7 / 14,3)

Valor de p

0,56

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste t de Student

Tabela 10. Freqüência de anemia nas crianças e adolescentes estudados, segundo o sexo.

Crianças e adolescentes

Anemia

Feminino
(n=50)

Masculino
(n=36)

Valor de p

 

N (%)

N (%)

 

Não

38 (76,0)

27 (75,0)

0,92

Sim

12 (24,0)

9 (25,0)

 

Total

50 (100) 3

6 (100)

 

p nível descritivo do Teste do Qui-quadrado

Tabela 11. Mediana da concentração de ferro sérico (μg/dl) nas crianças e adolescentes estudados, segundo o sexo.

Sexos

Ferro sérico (μg/dl)
Md

Percentis 25 /75

Feminino
(n=50)

76,0
(24,0 / 147,0)

58,0 / 94,0

Masculino
(n=36)

86,5
(47,0 / 177,0)

72,0 / 108,0

Valor de p

0,08

 

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste de Mann-Whitney

Tabela 12. Média de concentração de ferro sérico (μg/dl) nas crianças e adolescentes estudados, segundo a presença ou não de anemia.

Anemia

Ferro sérico (μg/dl)
X ± DP

Não

86,4± 28,1
(38,0 / 177,0)

Sim

72,0 ± 28,0
(24,0 / 116,0)

Valor de p

0,04

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste t de Student

Tabela 13. Freqüência de ferropenia (ferro sérico < 50μg/dl) nas crianças e adolescentes moradores de favelas na cidade de São Paulo estudados, segundo a presença ou não de anemia.

Ferropenia
(ferro sérico < 50
μg/dl)

 

Sim

Não

Valor de p

Anemia

N (%)

N (%)

 

Sim

5 (23,8%)

16 (76,2%)

0,03

Não

4 (6,2%)

61 (93,8%)

 

p nível descritivo do Teste Exato de Fischer

Tabela 14. Mediana da concentração de ferritina sérica (ng/ml) nas crianças e adolescentes estudados, segundo o sexo.

Sexo

Ferritina (ng/ml)
Md

Percentis 25 / 75

Feminino
(=50)

42,6
(11,5 / 93,6)

34,2 / 57,7

Masculino
(n=36)

37,2
(13,0 / 129,4)

24,0 / 58,0

Valor de p

0,19

 

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste de Mann-Whitney

Tabela 15. Mediana dos níveis séricos de cobre (μg/dl) nas crianças e adolescentes estudados, segundo o sexo.

Sexos

Cobre sérico (μg/dl)
Md (Percentis 25 / 75)

Padrão de referência1

Feminino
(n=50)

155,0 (115,0 / 180)

80 - 155

Masculino
(n=36)

135,0 (117,5 / 150,0)

70 - 140

Valor de p

0,04

 

1 Gibson (1990)
p nível descritivo do Teste de Mann-Whitney

Tabela 16. Média dos níveis de zinco sérico (μg/dl) nas crianças e adolescentes estudados, segundo o sexo.

Sexos

Zinco sérico (μg/dl)
X ± DP

Padrão de referência1

Feminino
(n=50)

99,3 ± 29,9
(40,0 / 245,0)

60 - 120

Masculino
(n=36)

95,4 ± 26,7
(30,0 / 145,0)

65 - 120

Valor de p

0,54

 

1 Gibson (1990)
p nível descritivo do Teste t de Student

Tabela 17. Valores médios de cobre e zinco séricos (μg/dl) nas crianças e adolescentes estudados, segundo a presença ou não de anemia.

Anemia

Cobre sérico (μg/dl)
X ± DP

Zinco sérico (μg/dl)
X ± DP

Sim

154,5 ± 38,2
(90,0 / 245,0)

88,0 ± 21,8
(55,0 / 115,0)

Não

141,8 ± 41,1
(40,0 / 270,0)

100,7 ± 29,8
(30,0 / 245,0)

Valor de p

0,22

0,08

( ) variação dos valores encontrados
p nível descritivo do Teste t de Student

Tabela 18. Matriz de correlação entre diferentes variáveis nutricionais e bioquímicas estudadas nas crianças e adolescentes moradores de duas favelas da cidade de São Paulo.

(ver tabela)

Tabela 19. Correlações significantes entre ferro sérico (μg/dl) e as variáveis estudadas.

Variáveis

Ferro sérico (μg/dl)

Ferritina (n=86)
coeficiente p

0,27
0,01

Escore Z E/I (n=86)
coeficiente p

-0,26
0,01

Área de gordura do braço (n=86)
coeficiente p

-0,25
0,02

% de gordura (Slaughter) (n=86)
coeficiente p

-0,23
0,04

% massa magra (Slaughter) (n=86)
coeficiente p

0,23
0,04

p Coeficiente de Correlação Linear de Pearson

Tabela 20. Correlações significantes entre zinco sérico (μg/dl) e as variáveis estudadas.

Variáveis

Zinco sérico (μg/dl)

Hemoglobina (n=86)
coeficiente p

0,32
< 0,01

Área de gordura do braço (n=86)
coeficiente p

-0,25
0,02

p Coeficiente de Correlação Linear de Pearson

Tabela 21.Correlações significantes entre cobre sérico (μg/dl) e as variáveis estudadas.

Variáveis

Cobre sérico (μg/dl)

% massa magra (Slaughter) (n=86)
coeficiente p

-0,25
0,02

% gordura (Slaughter) (n=86)
coeficiente p

0,25
0,02

Área de gordura do braço (n=86)
coeficiente p

0,24
0,02

Hemoglobina (n=86)
coeficiente p

-0,22
0,04

p Coeficiente de Correlação Linear de Pearson

Tabela 22. Matriz de correlação entre diferentes variáveis associadas à massa corporal de gorduras.

 

CIRCBZ

AREAGB

AREAGZ

IMC

CB

SOMA4D

SLAUG_

SIRIG_

RES

REA

BMIZ

CIRCBZ

1,00

0,80

0,86

0,77

0,82

0,76

0,77

0,73

-0,49

-0,30

0,83

AREAGB

0,80

1,00

0,89

0,89

0,88

0,94

0,94

0,87

-0,39

-0,17

0,72

AREAGZ

0,86

0,89

1,00

0,72

0,71

0,81

0,83

0,74

-0,38

-0,27

0,74

IMC

0,77

0,89

0,72

1,00

0,92

0,90

0,87

0,84

-0,56

-0,19

0,84

CB

0,82

0,88

0,71

0,92

1,00

0,85

0,84

0,83

-0,58

-0,20

0,73

SOMA4D

0,76

0,94

0,81

0,90

0,85

1,00

0,99

0,95

-0,31

-0,07

0,74

SLAUG_

0,77

0,94

0,83

0,87

0,84

0,99

1,00

0,96

-0,30

-0,08

0,75

SIRIG_

0,73

0,87

0,74

0,84

0,83

0,95

0,96

1,00

-0,35

-0,05

0,73

RES

-0,49

-0,39

-0,38

-0,56

-0,58

-0,31

-0,30

-0,35

1,00

0,56

-0,55

REA

-0,30

-0,17

-0,27

-0,19

-0,20

-0,07

-0,08

-0,05

0,56

1,00

-0,25

BMIZ

0,83

0,72

0,74

0,84

0,73

0,74

0,75

0,73

-0,55

-0,25

1,00

Legenda: CIRCBZ (escore Z da circunferência do braço); AREAGB (área de gordura do braço); AREAGZ (escore Z da área de gordura do braço); IMC (índice de massa corporal); CB (circunferência do braço); SOMA 4D (somatória das quatro dobras cutâneas); SLAUG_ (percentual de gordura calculado pela fórmula de Slaughter) SIRIG_ (percentual de gordura calculado pela fórmula de Siri); RES (resistência elétrica); REA (reatância); BMIZ (escore Z do Índice de Massa Corporal).

Tabela 23. Correlações significantes da massa corporal de gordura com as variáveis estudadas.

Variável 1

Variável 2

Coeficiente de correlação

Valor de p

SLAUG_1

SIRIG_3

0,95

<0,01

CB2

IMC4

0,92

<0,01

Legenda: (1) percentual de gordura calculado pela fórmula de Slaughter; (2) circunferência do braço; (3) percentual de gordura pela fórmula de Siri; (4) Índice de Massa Corporal.

* p Coeficiente de Correlação Linear de Pearson

4 Discussão

Foram estudados 86 crianças e adolescentes, sendo 50 do sexo feminino e 36 do sexo masculino. O número mediano de pessoas por família foi 5, sendo que a renda per capita apresentada por este grupo foi inferior a 0,5 salário mínimo em 79% e apenas 1 indivíduo apresentou renda entre 1,5 a 2,5 salários mínimos per capita (Tabela 1).

Monteiro, Freitas (2000c) relatam que a proporção de crianças entre 0 e 59 meses com renda per capita inferior a 0,5 salário mínimo, nos inquéritos realizados na cidade de São Paulo no período de 1984/85 e 1995/96 foi reduzida em mais de 50% (de 22,9% para 9,3%, respectivamente), porém, em 1995/96, 1/3 das crianças viviam em famílias com renda per capita inferior a um salário mínimo.

Percebe-se que no grupo estudado houve predominância de rendas inferiores a 1,5 salários mínimos, que pode ter ocorrido pelos índices observados de desemprego na cidade de São Paulo, ocasionando renda insuficiente para maior parte do grupo estudado em relação a manutenção de suas necessidades básicas.

A idade das crianças e adolescentes variou de 7 a 15 anos, não havendo diferença significativa entre os gêneros quanto aos valores da idade, da estatura, da reatância e da estatura ao quadrado dividida pela resistência (E2/R). Foram estatisticamente diferentes, sendo maior no sexo feminino, o peso corporal (p=0,01); a circunferência do braço (p<0,01); dobra cutânea do tríceps (p<0,01); dobra cutânea subescapular (p<0,01) e resistência elétrica (p<0,01) (Tabela 2).

São variáveis os resultados da literatura sobre a comparação da antropometria e da composição corporal entre os sexos. Dessa forma, valores maiores de circunferência do braço, dobra cutânea do tríceps e dobra cutânea subescapular para as meninas confirmam resultados anteriores de vários estudos (Anjos, 1989a; Campana et al., 1992; Fonseca et al., 1998; Landaeta-Jiménez, Pérez, 1999; Gibson et al., 2000; Boye et al., 2002; Mast et al., 2002) e estão em desacordo com os de Fonseca et al. (1998) para as dobras consideradas. O resultado desses autores pode estar relacionado com a maior atividade física nas meninas, já que estas possuíam maior preocupação com a imagem corporal. Os valores sem diferença estatística de estatura e de E2/R também são relatados por Cordain et al. (1988), porém esses autores descreveram ainda resultado sem diferença para a resistência, que no presente trabalho foi significantemente maior no sexo feminino. O estudo de Mast et al. (2002) por um lado confirma o resultado de maior resistência elétrica nas meninas e por outro lado relata maior E2/R para os meninos, que apresentaram maior estatura do que as meninas o que pode ter determinado o resultado obtido por esses autores.

A comparação entre a distribuição dos valores de peso corporal encontrados e aqueles correspondentes ao percentil 50 do padrão de referência utilizado, pode ser observada para os sexos feminino e masculino nas Figuras 1 e 2, respectivamente. Em relação à estatura, a comparação entre a distribuição dos valores encontrados e aqueles correspondentes ao percentil 50 do padrão de referência encontra-se nas Figuras 3 e 4, respectivamente para os sexos feminino e masculino.

Observou-se, por meio das Figuras 1 e 3, que as meninas possuem peso corporal acima e estatura abaixo do percentil 50 do padrão de referência, enquanto que os meninos (Figuras 2 e 4) apresentam tanto o peso corporal quanto a estatura inferiores a esse percentil.

A literatura registra em crianças e adolescentes dos sexos feminino e masculino e de baixa renda, peso e/ou estatura menores quando comparados com aqueles de maior renda (Gross et al., 1990; Anjos et al., 1989a,b) e em relação ao percentil 50 do NCHS (Benigna et al., 1987). O peso corporal das meninas acima do percentil 50 observado no presente estudo pode ser explicado em função do comprometimento da estatura, uma vez que nesta situação há maiores chances de sobrepeso e obesidade principalmente no sexo feminino (Hoffman et al., 2000) e também porque durante a puberdade há maior depósito de gordura subcutânea quando se compara com meninas sem comprometimento da estatura (Bénéfice et al., 2001). Note-se na Figura 1 que a curva do peso corporal vai se tornando mais distante, positivamente, da curva do percentil 50 à medida em que a idade avança.

O escore Z da relação estatura para a idade variou de - 3,1 a 1,6 não havendo diferença determinada pelo gênero (p=0,27) (Tabela 3). Baixa estatura foi verificada em 4/50 (8%) das meninas e em 2/36 (5,6%) dos meninos, também não havendo diferença estatística significante entre os sexos (Teste Exato de Fisher, p=0,50, dados não mostrados).

Estudo epidemiológico que compara o déficit estatural em crianças de 0 a 59 meses em estudos transversais brasileiros, realizados em 1984/85 e 1995/96 mostra que 10,1% e 2,4% apresentaram escore Z de E/I < -2DP (Monteiro, Conde, 2000a). Quando analisado o inquérito de 1995/96, estes autores observam que as crianças com rendas inferiores a 1,0 salário mínimo possuíam maior incidência de baixa estatura (?).

Freitas et al. (1990) relatam déficit de crescimento em 55% das crianças e adolescentes com faixa etária de 7 a 14 anos em Salvador - BA; Silva (1998) descreve 15,6% em Americana - SP; Miglioranza et al. (2002) 9,5% em Londrina - PR e Veiga, Burlandy (2001) 4% no Rio de Janeiro - RJ. Quando se considerou o grupo estudado sem divisão por sexo, a baixa estatura encontrada foi de 7%, que pode estar relacionada com os agravos nutricionais ocorridos nos primeiros anos de vida. Porém, a comparação com outros resultados fica difícil em função das diferenças regionais e pelo fato do perfil antropométrico de grupos populacionais de baixa renda que freqüentam instituições ser menos deficitário do que aqueles que não freqüentam (Silva, 1998).

Classificando-se o estado nutricional segundo os percentis do Índice de Massa Corporal (IMC) para a idade (Tabela 4), encontramos: desnutrição em 3,5%; eutrofia em 74,4%; sobrepeso em 15,1% e obesidade em 7,0%. A incidência de sobrepeso e obesidade (30,0%) foi maior nas meninas que nos meninos (11,2%) (Tabela 5), assim como as medianas do do escore Z do IMC. (Tabela 6; Gráfico 5).

Embora a maioria das famílias das crianças e adolescentes tivessem renda per capita inferior a 0,5 salário mínimo, situação na qual é maior a chance de ocorrência de desnutrição (Santos et al., 1995; Issler et al., 1996; Issler, Guigliani, 1997), o grupo estudado apresentou maior incidência de sobrepeso e obesidade. Essa transição nutricional observada em países em desenvolvimento com a diminuição da prevalência de desnutrição concomitante ao aumento de sobrepeso e obesidade tem sido relatada em populações de baixa renda. Estudos clínicos relatam essa transição em crianças e adolescentes, inclusive com significância no sexo feminino em relação ao masculino (Pietrobelli et al., 1998; Musaiger, Gregory, 2000; Veiga, Burlandy, 2001; Albano, Souza, 2001), confirmando os resultados obtidos neste trabalho.

O valor médio da área do braço das meninas foi de 36,3 ± 12,4 cm2; e dos meninos 29,4 ± 9,4 cm2, sendo que as meninas apresentaram valor médio do escore Z da área do braço maior que o dos meninos (p=0,01) (Tabela 7, Figura 6).

A área de gordura do braço variou de 4,0 a 37,9 cm2, sendo nas meninas o valor médio de 12,4 ± 6,8 cm2 e nos meninos: 7,5 ± 4,2 cm2, p<0,01. Quanto ao valor médio do escore Z da área de gordura do braço não houve diferença segundo o sexo, p=0,09 (Tabela 7).

A área muscular média do braço no sexo feminino foi de 23,9 ± 7,0 cm2 sem diferença significante em relação ao sexo masculino 21,8 ± 5,8 cm2, p=0,14. Entretanto, quando a comparação entre os gêneros foi realizada por meio do escore Z da área muscular do braço, esta foi significantemente maior no sexo feminino, p=0,01 (Tabela 7, Figura 7).

Alguns trabalhos relatam no sexo feminino maior área de gordura do braço e nos meninos maior área muscular do braço (Anjos, 1989a; Landaeta-Jiménez, Pérez, 1999; Musaiger, Gregory, 2000), estando de acordo apenas com os resultados de área de gordura do braço para as meninas, encontrados neste trabalho. Gibson et al. (2000) constatam que as meninas possuem maior área de gordura do braço, sem diferença em relação a área muscular do braço segundo o gênero, mesmo estas apresentando maiores valores de dobras cutâneas.

No estudo de Fonseca et al. (1998) os meninos apresentam maior área de gordura do braço do que as meninas, por possuírem dobras cutâneas tricipital e subescapular maiores que a das meninas. Martinéz-Martinéz et al. (1993) estudando crianças com faixa etária de 48 a 78 meses verificam maior área de gordura do braço nas meninas e maior área muscular do braço nos meninos.

Assim, pode-se dizer que o sexo feminino apresenta desde a idade pré-escolar maior gordura corporal, quando avaliada pela área do braço, em relação aos meninos.

A mediana do percentual de gordura corporal calculado por meio das fórmulas de Siri e de Slaughter estão expressos na Tabela 8. As meninas apresentaram percentual de gordura maior do que os meninos, em ambas as estimativas. A comparação entre os valores estimados e os esperados pelos padrões de referência podem ser visualizados, para cada sexo, nas Figuras 8 e 9.

Vários autores ao avaliar o percentual de gordura corporal em crianças e adolescentes constatam maior percentual no sexo feminino (Taylor et al., 1997; Pietrobelli et al., 1998; Ruxton et al., 1999; Musaiger, Gregory, 2000).

As Figuras 8 e 9 mostraram que os percentuais de gordura corporal nos sexos feminino e masculino foram maiores quando comparados aos padrões de referência, mesmo o sexo masculino, em relação ao feminino, apresentando menor percentual de gordura corporal. Ruxton et al (1999) também relatam que crianças de ambos os sexos possuem maior percentual de gordura corporal quando comparados com o padrão de referência de Fomon et al. (1982).

A maior incidência de sobrepeso e obesidade no grupo estudado pode estar relacionada com o processo de transição nutricional observada no Brasil. Tem-se a mudança do problema do déficit para excesso energético, com prevalência elevada de obesidade nos extratos familiares de menor renda, associada ao déficit de estatura (Monteiro et al., 1995; Gallo et al., 2000).

Em relação às análises bioquímicas verificou-se que os valores médios de hemoglobina não mostraram diferença significante (p=0,56) de acordo com o sexo (Tabela 9). A anemia foi detectada em 24,4% das crianças e adolescentes, sendo que não houve diferença em relação à freqüência de anemia segundo o gênero, p=0,92 (Tabela 10).

Monteiro et al. (2000b) estimando a prevalência e distribuição da anemia na infância em dois inquéritos realizados na cidade de São Paulo, em 1984/85 e 1995/96, constatam que houve redução significativa na concentração média de hemoglobina com aumento na prevalência de anemia de 35,6% para 46,9%, atingindo meninas e meninos e os grupos de menor renda.

Tsuyuoka et al. (1999) relatam prevalência de anemia em 26,7% dos indivíduos entre 4 e 24 anos. Outros estudos apresentam prevalência de anemia em 41,3% e 28,5% adotando valores de hemoglobina menor que 12g/dl e 11g/dl, respectivamente (Miglioranza et al., 2002; Rocha et al, 1993). Onsten et al. (1988) considerando valor de hemoglobina menor que 11g/dl segundo o Center of Disease Control relatam que 53,9% dos escolares possuem anemia. Em trabalhos com pré-escolares Oliveira et al. (2002) e Silva et al. (2001) adotando a definição de anemia segundo a OMS (hemoglobina menor que 11g/dl) constatam prevalência de 36,4% e 47,8%, respectivamente.

NELSON et al. (1993) relatam incidência de anemia em 10,5% das meninas e 3,5% dos meninos de 12 a 14 anos e Norton et al. (1996) não observam diferenças nos valores médios de hemoglobina segundo o sexo em indivíduos de 7 a 15 anos.

Neste trabalho verificou-se elevada incidência de anemia (24,4%), sendo este percentual inferior aos relatados na literatura o que pode ser explicado pelo fato das crianças e adolescentes terem maior acesso a assistência médica do que grupos não-institucionalizados.

O ferro sérico variou de 24,0 a 177,0 µg/dl, sendo que 10,5% mostraram valores menores que 50 µg/dl (ferropenia). Não se detectou diferença significativa nos valores medianos de ferro sérico segundo o sexo, p=0,08 (Tabela 11). Os indivíduos com anemia, apresentaram níveis séricos de ferro menores (p = 0,04) e maior incidência de ferropenia (p=0,03) que aqueles sem anemia (Tabelas 12 e 13). Os valores medianos de ferritina variaram de 11,5 a 129,4 ng/ml, não apresentando diferença significante entre os sexos, p=0,19 (Tabela 14). No grupo estudado apenas 1 indivíduo (1,2%) apresentou valor de ferritina menor que 12 ng/ml.

Alguns estudos definem a deficiência de ferro utilizando como parâmetros a hemoglobina, volume corpuscular médio, hematócrito, ferritina, receptor de transferrina, ferro sérico, saturação de transferrina, capacidade total de ligação do ferro e protoporfirina eritrocitária livre (Asobayire et al., 2001; Norton et al., 1996; Looker et al., 1997, Nogueira de Almeida et al.,2001). O “status” do ferro pode ser determinado por vários testes em adição à hemoglobina, contudo os testes relativos ao ferro não possuem correlação próxima um com outro, porque cada parâmetro reflete diferentes aspectos do metabolismo do ferro (WHO, 2001). O nível de ferro sérico reflete o balanço entre vários fatores incluindo o ferro absorvido, o ferro para a síntese de hemoglobina, o ferro liberado pela destruição das células vermelhas e o tamanho de suas reservas (Lanzkowsky, 1985). O nível de ferritina sérica é o teste bioquímico mais específico que se correlaciona com os estoques corporais de ferro (WHO, 2001).

O presente estudo não detectou diferença nos valores de ferro sérico quando comparados segundo o sexo, resultado este confirmado pelos de Alárcon et al. (1997). Alguns autores consideram depleção dos estoques de ferro com ponto de corte para ferritina menor que 12 ng/ml. Assim, Nelson et al. (1993) verificam depleção de ferro em 4% das meninas e 1% dos meninos; Looker et al. (1997) nos Estados Unidos constatam que 9% dos adolescentes do sexo feminino possuíam deficiência de ferro, sendo que 2% anemia por deficiência de ferro; AHMED et al. (2000) detectam depleção dos estoques de ferro e anemia por deficiência de ferro respectivamente em 17% e 32% das adolescentes do sexo feminino. Outros trabalhos com escolares tem utilizado pontos de corte para ferritina de 10, 20 e 30 ng/ml levando a variações nos resultados obtidos, respectivamente, deficiência de ferro em 9,13% (Norton et al., 1996); 2,9% (Tershkovec, Weller, 1991) e em 34% (Asobayire et al., 2001).

No presente estudo a incidência de ferropenia foi elevada estando de acordo com os estudos citados. A ferropenia pode estar relacionada com o aumento das necessidades de ferro para o crescimento e com a menor ingestão deste elemento.

A mediana de cobre sérico no sexo feminino foi estatisticamente maior do que no masculino, p=0,04 (Tabela 15). A comparação com o padrão de referência mostra nos sexos feminino e masculino que 48% e 33,4%, respectivamente apresentaram níveis de cobre sérico acima do limite superior e que 4% e 2,8%, abaixo do limite inferior referência, respectivamente.

Alárcon et al. (1997) também relatam maiores concentrações séricas de cobre no sexo feminino do que no masculino. Outros estudos relatam aumento dos níveis séricos de cobre em meninas com idades entre 12 e 19 anos ou 15 e 18 anos (ESTÉVEZ et al., 1988; LAITINEN et al., 1989) quando comparado com os meninos. KÖNIG, ELMADFA (2000) descrevem que pré-escolares entre 4 e 6 anos apresentam um pequeno aumento de cobre sérico quando comparados com escolares.

No presente estudo verificou-se baixa prevalência de deficiência de cobre (3,48%). Este baixo percentual pode ser explicado por se tratarem de crianças e adolescentes institucionalizados que recebem suplementação alimentar. Assim, pressupõe-se que a alimentação fornecida pela Instituição consiga fornecer as quantidades necessárias diárias deste mineral. Estévez et al. (1988) descrevem prevalência de deficiência de cobre em 7% de indivíduos não institucionalizados.

O valor médio de zinco sérico não apresentou diferença segundo o sexo, p=0,54 (Tabela 16). A comparação com o padrão de referência mostra que no sexo feminino 5 (10,0%) apresentaram níveis de zinco sérico acima do limite superior de referência e 1 (2%) abaixo do limite inferior. Quanto ao sexo masculino, 8 (22,3%) possuíam valores acima do limite superior de referência e 5 (13,9%) abaixo do limite inferior.

A concentração de zinco sérico nas meninas e meninos na infância são baixos, alcançando um pico na adolescência e declinando na idade adulta. Laitinen et al. (1988) verificam que os níveis séricos de zinco não diferem aos 3, 6, 9 e 12 anos, sendo que os meninos apresentam nas idades de 15 e 18 anos valores maiores em relação ao das meninas. Porém, outros estudos avaliando a concentração de zinco sérico em crianças e adolescentes não observam diferença quanto ao gênero (Alárcon et al., 1997; Estévez et al., 1988; Gibson et al., 2000) confirmando o resultado do presente estudo.

A prevalência de deficiência de zinco no presente estudo foi baixa (6,9%) quando comparada aos estudos de Estévez et al. (1988) e de Fávaro, Vannucchi (1990) que relatam deficiência em 19,6% da população, sendo 14% nas meninas e 11,7% nos meninos. A população estudada por esses autores corresponde também a indivíduos de baixa renda, porém não institucionalizados, o que pode estar relacionado com os altos índices observados.

Entre os indivíduos com ou sem anemia, não houve diferença para o cobre sérico (p=0,22) e zinco sérico (p=0,08) (Tabela 17).

Esse resultado mostra que não houve interação entre zinco, cobre e ferro (Davies, 1974), situação na qual teria ocorrido anemia por alta ingestão de zinco, ou seja, alta ingestão de zinco dietético levando a deficiência de cobre por competição pelos sítios de ligação da metalotioneína nas células mucosas intestinais (Sandstead, 1982), que por sua vez restringe a utilização de ferro, o que ocorre da seguinte forma. A ceruloplasmina, proteína cobre dependente, é essencial para a mobilização de ferro a partir dos depósitos, antes de sua incorporação na hemoglobina (Harris, 1994). Na deficiência de cobre, a ceruloplasmina tem sua atividade significantemente diminuída, havendo à anemia a qual é responsiva a suplementação dietética de cobre (Hill, Matrone, 1970).

Trabalhos em nosso meio mostram baixa ingestão de zinco em crianças e adolescentes de baixo nível socioeconômico (Marques, 1998; Urbano et al., 2002), provavelmente pelo fato dos alimentos-fonte em zinco serem os de origem animal e de maior custo. Assim sendo, a anemia apresentada pelos indivíduos estudados não é conseqüente à interação de ferro, cobre e zinco, mas provavelmente pela baixa ingestão de ferro.

A matriz de correlação entre as diferentes variáveis antropométricas, de composição corporal e bioquímicas estudadas encontra-se Tabela 18.

Na Tabela 19, mostramos as variáveis que apresentaram correlações significantes com o ferro sérico, havendo correlação positiva com a ferritina e com o percentual de massa magra e negativa com o escore Z E/I e índices de gordura corporal. Os coeficientes de correlação, entretanto foram pequenos (menores que 0,3, em módulo). O ferro sérico está associado com a ferritina por ser um parâmetro que avalia os estoques corporais deste elemento e com o percentual de massa magra pode estar relacionada com o ferro corporal que em períodos de maior crescimento há um aumento da hemoglobina circulante e conseqüentemente expansão do volume sanguíneo e aumento da massa muscular.

O zinco sérico apresentou correlação positiva com hemoglobina, reatância e resistência elétrica e negativa com a área de gordura do braço (Tabela 20). A correlação observada entre zinco sérico e hemoglobina pode estar relacionados com o aumento da massa magra principalmente em períodos de aceleração do crescimento.

A Tabela 21 apresenta correlações significativas entre cobre sérico e as variáveis, tendo correlação positiva com o percentual de gordura pela fórmula de Slaughter, área de gordura do braço e negativa com percentual de massa magra pela fórmula de Slaughter e hemoglobina. A correlação entre cobre sérico e o percentual de gordura e área de gordura do braço pode ser explicada pelo fato que o cobre é necessário para a síntese de tecido conjuntivo que por sua vez participa da síntese do tecido adiposo.

A matriz de correlação entre as diferentes variáveis antropométricas associadas à massa corporal de gorduras encontra-se na Tabela 22. Na Tabela 23 estão as variáveis associadas à massa corporal de gordura cujos coeficientes de correlação linear de Pearson foram significantes, em módulo 0,90.

A correlação entre o percentual de gordura corporal calculado pela fórmula de Slaughter que utiliza a somatória de duas dobras cutâneas e com a fórmula de Siri que calcula o logaritimo da somatória de quatro dobras cutâneas refletem igualmente a gordura corporal. Para a correlação entre a circunferência do braço e IMC verifica-se que estes indicadores relacionados tanto com sobrepeso ou obesidade.

No nosso estudo, a relação E2/R apresentou os maiores coeficientes de correlação com a área muscular do braço (coeficiente de correlação: 0,85; p<0,001) e com circunferência do braço (coeficiente de correlação: 0,77; p<0,01).

Alguns estudos relatam correlações entre algumas variáveis estudadas no presente estudo, como de hemoglobina e zinco sérico (coeficiente de correlação: 0,497), cobre sérico e dobras cutâneas do tríceps e subescapular (coeficiente de correlação: 0,13; 0,32, respectivamente em meninas e meninos), circunferência do braço e índice de massa corporal (coeficiente de correlação: 0,89) (Hongo et al., 1992; Laitinenet al., 1989; Bolzan et al., 1999).

Em nosso meio poucos estudos tem avaliado o estado nutricional em cobre e zinco em indivíduos de baixa talvez por haverem dificuldades quanto a dosagem sanguínea. Considerando que os estudos são direcionados mais especificamente a indivíduos com patologias que apresentam alteração no metabolismo deste minerais. É difícil a comparação dos resultados, já que os estudos existentes são na sua grande maioria de outros países. Na literatura há escassez de correlações de dados bioquímicos como ferro, cobre e zinco entre variáveis antropométricas e de composição corporal, embora seja bem definido o papel de cada um no crescimento. Faz-se necessário estudos em populações de melhores condições socioeconômicas para que haja um parâmetro a nível nacional de valores de cobre e zinco, que poderia ser comparada com pesquisas realizadas em nosso meio.

5 Conclusões

  1. O grupo estudado mostrou baixa prevalência de desnutrição (3,5%) e aumento de sobrepeso e obesidade (22,1%). O percentual encontrado quando comparado com outros estudos foi baixo, mas demonstrou que o processo de transição nutricional que ocorre no mundo como um todo também foi observado neste grupo em particular. Baixa estatura foi encontrada em 7% das crianças e adolescentes, sendo que este percentual não é muito diferente dos percentuais encontrados nos inquéritos realizados na cidade de São Paulo, verificando-se que os indivíduos já apresentavam agravos nutricionais anteriores.
  1. Quanto à composição corporal os resultados foram similares com o padrão ocidental, no qual o sexo feminino apresentou maior percentual de gordura corporal (Frisancho, Siri, Slaughter) quando comparados com o sexo masculino.
  1. Anemia foi detectada em 24,4% das crianças e adolescentes correspondendo a metade do percentual encontrado em estudos populacional realizado na cidade de São Paulo em 1995/96. Ferropenia foi detectada em 10,5%, que pode estar relacionada com a baixa ingestão deste elemento. Sendo que 23,8% dos indivíduos com anemia e 6,2% sem anemia apresentaram ferro sérico menor que 50μg/dl, assim o ferro sérico não é um bom indicador para detectar anemia.
  1. A deficiência de cobre em meninas e meninos foi baixa, no qual as meninas apresentaram níveis séricos maiores do que os meninos.

6 Anexos

Anexo 1

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